segunda-feira, abril 28, 2008

A Nossa "dama de ferro" - Versão de 2008

Em Janeiro de 2004, portanto há mais de quatro anos, estava o governo do Dr. Durão Barroso em pleno mandato e, emergia na altura uma figura que era quase "odiada" pela população portuguesa. Justificar completamente
Era ela a Dra. Manuela Ferreira Leite e era a nossa Ministra das Finanças.
O que a fazia ser tão pouco estimada, mesmo entre os seus pares?
A resposta é simples? era rigorosa, colocava Portugal acima da sua popularidade, do seu partido ou mesmo do seu Governo.
A sua Obsessão pelo défice levou mesmo o então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, a proclamar aos quatro ventos que "Há mais vida para além do défice". Curiosamente, no Governo de Sócrates, que continuou essa doutrina (para mim correcta, no entanto sempre condenei este Governo porque foi precisamente eleito por se opor veementemente a essa política, que pelos vistos estava correcta) nunca mais ouvi nem o anterior P.R., nem o Governador do banco de Portugal, nem ninguém com responsabilidades e da área socialista condenar a política do governo quanto ao défice (e, repito, quanto a mim, nesse ponto concreto, concordo, no entanto apenas os condeno porque essa política tinha de ser acompanhada por uma diminuição da despesa pública, o que como sabem não ocorreu).
Como disse, mesmo entre o Governo de então e o partido a Dra. MFL era "persona non grata" para muitos.
Nesse período escrevi a crónica que a seguir vos deixo.
Quem a apoiou quando era mais difícil, não o ia agora deixar de fazer, no momento em que ela tenta resgatar a credibilidade política do meu partido.
Sei que é uma batalha dura, sei que os "populistas", demagogos e afins são mais bonitos, têm um discurso mais redondo, mais moderno, mas é disso que o PAÍS precisa?
A Dra. Manuela Ferreira Leite tem o meu (pessoal) apoio incondicional nestas eleições, embora também tenha muita simpatia pela candidatura do Dr. Pedro Passos Coelho e, até anteveja uma possível vitória sua.
Aqui fica o texto (não esquecer, escrito e publicado no extinto "notícias do Seixal"em janeiro de 2004).


A NOSSA “DAMA DE FERRO”


Como a história nos ensinou, Portugal por norma chega 10 a 20 anos atrasado aos acontecimentos em relação aos outros países. É precisamente este o caso. Se os nossos amigos ingleses tiveram a sua dama de ferro há mais do que dez anos, também nós temos direito a ter a nossa. Todos já perceberam que estou a falar da nossa Ministra das Finanças.
Confesso que gosto da nossa ministra. Rectifico, gosto muito da nossa ministra! E quanto mais falam mal dela, maior a admiração que sinto por si, pela sua coerência, pela sua determinação e, mais importante de tudo, por aquilo que está a fazer por Portugal.
Seguramente que, neste momento, nem ela própria espera que alguém goste da sua política, pois, afinal de contas não é ela a responsável pelo “aperto” financeiro que todos nós estamos a viver? A resposta aparentemente é positiva, no entanto, com o devido respeito vos digo que estão redondamente enganados os que assim pensam. Não foi ela que nos pôs na situação de endividados em que estamos. Para aqueles que contraíram empréstimos e não têm como pagar, não foi ela que vos disse que podiam pedir empréstimos para tudo, desde a habitação, até ao mobiliário, automóvel, passando pelas férias e, conforme até foi amplamente difundido esta semana, para as bodas do casamento. Não foi ela que mandou as autarquias endividarem-se, como por exemplo a do Seixal. Essa foi uma opção de cada qual, sempre com o incitamento do Engº Guterres, para quem a riqueza do País se media pela taxa de ocupação do Algarve. Vê-se agora!!!
A ministra limitou-se a dizer-nos, não gastem mais porque simplesmente não vão ter como pagar. Produzam riqueza. Esse papel ingrato, coube-lhe a ela, pior seria que coubesse ao FMI como noutros tempos, ou ao banco central Europeu, se assim fosse, estaríamos todos a rezar para que nos tivesse aparecido uma qualquer “dama de ferro” que tivesse posto ordem neste País.
Imagine o caro leitor a situação clássica de uma família endividada há muitos anos. Foi recebendo os avisos do banco para liquidar as prestações em atraso e foi ignorando olimpicamente o seu teor. De seguida recebeu uma ou mais do departamento contencioso desse mesmo banco e também as ignorou. Mais tarde, recebeu uma citação de uma qualquer acção judicial de dívida. Aí já não pôde ignorar, porque o passo seguinte foi a condenação e numa acção executiva a penhora dos bens ou até mesmo da sua habitação. Situações como a que acabei de descrever infelizmente são colocadas diariamente aos advogados, aos bancos, aos tribunais, enfim, aos credores. Essa família infelizmente não teve uma Manuela Ferreira Leite que, em tempo útil lhe dissesse: parem, antes que percam tudo. Ora é isso que a ministra está a fazer ao nosso País e a sua acção é tanto mais admirada por mim, quanto ela se desvia do caminho fácil da demagogia em detrimento da sua imagem pessoal. Só no futuro lhe poderemos agradecer, quando compreendermos, TODOS, que alguém tinha que travar este despesismo louco em que estávamos mergulhados e que caminhávamos inevitavelmente para o abismo.
É caso para dizer que, mais vale tarde do que nunca e a nossa “dama de ferro” apareceu no momento certo, em que o País mais precisava da sua determinação.

13 comentários:

Anónimo disse...

O grande problema é que se há 4 anos estávamos em contenção, 4 anos passados continuamos em contenção. Onde vamos parar??? Com damas de ferro ou sem elas tudo vai dar ao mesmo. Soluções? parece que em Portugal são dificeis de encontrar. Problemas estruturais, conjunturais, culturais não são solucionáveis apenas com os sacrificios dos que trabalham por conta de outrém e que cada vez têm um nivel económico mais baixo. Se existem mentes iluminadas neste País, então seriam bom que emergissem, mas onde estão???

Paulo Edson Cunha disse...

Não disse, nem acho que a Dra. MFL seja uma mente iluminada.
Disse, e reafirmo, que é séria, competente, coloca o interesse do país á frente do interesse do próprio partido e, por agora isso basta-me, porque não quero que aconteça o mesmo que acontece actualemente com o PS, que prometeram uma coisa e fizeram o oposto. E não me agarda que o meu partido faça isso. Ela, sei que não o fará e será a pessoa ideal para conduzir os destinos do país para a crise económica que se avizinha

Anónimo disse...

Sou simpatizante do PSD, mas discordo em muito consigo.
"Curiosamente, no Governo de Sócrates, que continuou essa doutrina (para mim correcta...)"
É por isso que não vale a pena votar PSD.
Nestes termos só vem dar razão a quem diz que o PS está com politicas de direita, e como tal, no PSD não há nada de diferente de novo.
A social democracia é mais social do que o senhor e a doutora MLF a querem que ela seja.
O Estado tem de ser interventivo, repare-se nos exemplos da social democracia dos países nórdicos. O peso do Estado no que diz respeito ao aspecto social é avassalador.
Corta-se nas despesas a todo o custo, e aumenta-se as receitas a todo o custo isso é economia de dona de casa.
Gostaria de ouvir alguém da direcção do PSD afirmar como vi e ouvi ser afirmado, na assembleia de freguesia de Arrentela, por um eleito, que se as politicas levadas a cabo por este governo do PS, fossem repetidas, ou mantidas por um governo do PSD, então, refere essa pessoa que não se manteria no PSD e rasgaria o seu cartão de militante.

Paulo Edson Cunha disse...

À noite, com mais tempo, responderei com maior precisão, mas peço que não se confunda avalizar a política do Governo no que ao défice diz respeito, o que até é obrigatório para os aderentes à zona Euro, levando à expulsão dessa zona em caso de incumprimento (com a excepção dos "Grandes" Alemanha e França) outra coisa é a forma de controlar o défice. Eu defendo a diminuição da dívida pública e o emagrecimento das despesas do estado, este Governo preferiu o caminho de o conseguir através do agravamento da carga fiscal, o que é tanto mais grave quando prometeu o contrário. Mais tarde explicarei melhor a ideia

Ponto Verde disse...

Faço votos pelo país que o PSD encontre o Rumo certo, sem Sebastianismos ou decalcados e milagrosos Sá-Carneirismos .
Os tempos são outros, cada vez menos de Barões e Baronesas.
Que saibam e tenham para escolher o que será melhor para Portugal.

Anónimo disse...

Olá Betinho!

Será que um País como o nosso, no qual o machismo encapotado impera, no qual ainda se defende que a Política, assim como o Futebol são "Assuntos de Homens", e onde, fundamentalmente, nem todos têm a tua prezada cultura política e supostamente a da nossa "Dama de Ferro" ... Será que com todos estes "Senãos" o povo elegerá uma Mulher como Primeira-Ministra??? sendo que esse é um dos objectivos, ao que penso, da sua vitória na liderança do PSD!!!

Beijos

Ana disse...

Quando a descrença é total só uma mulher para arrumar a casa.
O PSD não será pioneiro, nem vale a pena inventar o que já está inventado, sou adepta do " copy and past", veja-se a Alemanha o que fez e salvaguardando todas as diferenças (Que são muitas), têm uma qualidade de vida de que muitos portugueses gostariam de ter.
Não sei quem irá ser o novo leader mas só vejo que possa passar ou pela Dra. Manuela Ferreira Leite ou pelo Dr. Passos Coelho, são aqueles que na minha opinião podem trazer valor acrescentado ao PSD.

Jorge Pieta disse...

Continuo a pensar que a Dra Manuela Ferreira Leite já devia ter avançado há muito.
O PSD não pode ficar nas maõs de certos oportunistas politicos

Jorge Pieta disse...

Novo visual (boa foto no site):))
Será que se consegue que o Comercio do Seixal e o Noticias do Seixal publiquem a verdadeira historia do"Gaivotas" para a população do seixal saber o que a nossa Camara faz aos barcos tipicos?????

Anónimo disse...

Sr. Dr.

Permita discordar. MFL não aparece no momento certo. MFL aparece fora de tempo.

Afastado há muito do mundo dos blogues, tive curiosidade de saber o que pensava sobre o actual momento do partido. Uma vez mais, no respeito (penso que mútuo...) e na discordância de opinião. Eis a democracia.

Cumprimentos

GCavaco

Paulo Edson Cunha disse...

Conforme prometido...cá estou eu, para responder:
Ao último comentário, presumo que do Dr. cavaco, que de facto há muito não nos honrava com os seus comentários digo-lhe que deve recordar-se que as nossas primeiras divergências neste blogue surgiram porque V. Exa. apoiava, e com toda a legitimidade o Dr. LFM e eu apoiava o Dr. Mendes. Para que conste, aprecio o trabalho político, a coragem, a obra notável que o Dr. Menezes fez em gaia, mas não me revejo na sua forma de fazer política. Apenas e só isso. Acho que ele próprio compreendeu que com ele o pSD não atingia patamares de credibilidade que o tornassem alternativa credível. O seu maior erro foi não se ter distanciado do Dr. Santana. Foi não ter compreendido que mais do que o Eng. Sócrates ter ganho o País e as eleições, foi o Dr. Santana que o perdeu. Justa ou injustamente (e eu até sou dos que acho que foi injusta, porque o actual Governo tem feito bem pior...) a verdade é que o povo disse claramente que não queria aquele modelo de governação, de fazer política.
E um PSD renovado com o Dr. Menezes o que faz? inspira-se nesse modelo...
Espero que o PSD profundo, o das bases, o PSD popular (o chamado PPD) perceba isso. Mas claro que respeito a sua posição, mas permita-me que, até prova em contrário, mantenha a minha, que como aqui demonstrei, já tem muitos anos e não foi importada apenas para estas eleições.

Fora do tempo (Jorge Pietá e Dr. Cavaco)? talvez, mas lembro que da última vez apenas não avançou para não dividir o elitorado "tipo" com o Dr. Mendes e permitir assim a vitória do Dr. Menezes, o que não conseguiu à mesma. Mas é nessas atitudes que se vê quem é uma verdadeira "senhora".

Quanto à "Betinha"(sei o seu nome, mas...) e à Ana, se calhar precisamos mesmo de uma mulher a governar-nos, embora eu não coloque as coisas assim. Isso das quotas, quer para sexo, raças, credos é tudo uma forma de apartheid das nossas consciências.
Mas sim, na Alemanha está a resultar, em Inglaterra resultou e nos E.U.A., quem sabe..?

Sobre o tal comentário anónimo apenas acrescento que de facto Portugal precisa urgentemente de um Estado Social mais interventivo em certas áreas, de uma nova aposta no interior, completamente abandonado por este Governo, mas precisa simultâneamente de mais criação de riqueza e de investimento público e privado, criando com isso emprego e dinamizando a economia, num efeito dominó. Como se consegue tudo isso sem subir o défice? apenas vejo uma forma: incentivar fiscalmente o investimento, a criação de emprego, baixando o IRC e dando benefícios fiscais, o que se calhar aumentava a receita fiscal porque mesmo baixando os valores, com uma carga fiscal mais justa, mais empresas cumpriam e muito mais importante do que isso:baixar a despesa do Estado. Todos nós vemos diáriamente mails e comentários de pensões e ordenados autenticamente pornográficos, obras de fachada assustadoras (o TGV é uma delas)que sugam todo o dinheiro do Estado obrigando ao tal agravamento.
Meu caro, como vê, com este Governo apenas concordo com um pequeno pormenor:cumprir o pacto de Estabilidade que a nossa adesão à "Zona Euro" obriga. Em tudo o resto discordo, incluindo a forma de cumprir o P.E.E.
Obrigado pela vossa participação

Anónimo disse...

A minha opinião é simples, qualquer dos candidatos actuais para líder do PSD, é um candidato perdedor em 2009 para Sócrates...excepto se for renovada a AD.
Quanto à MLF, bom se calhar perdiamos assim por cabazada... mas claro faz parte daquela oligarquia alfacinha que tudo sabe, mas pouco faz... que de social democracia pouco percebem e regem-se por outros valores...
Mais, a desorganização a nível partidário do PSD é algo caricato como se pode ver no caso em que recebeu indevidamente dinheiro de uma empresa de construção civil... são tudo pessoas sérias só o PSL é que é mau, porque apunhalado pelas costas com a conivência de certos social-democratas de pseudo-elite.
Ainda agora não sabemos o que realmente motivou jorge sampaio a demitir o governo e a dissolver a AR: terá PSL legislado sobre matéria proibida?; terá cometdo algum crime?; é ou foi arguido em algo?; terá sido apanhado em escutas a tratar os adversários por nomes menos próprios?; aumentou os impostos?; diminuiu as regalias sociais aos portugueses?; não permitiu o normal funcionamento das instituições?; Pois, se calhar num governo de coligação houveram divergência com ministros, mas este governo sócrates tem sido por demais, vide exemplos dos ministros economia, saúde e obras públicas.
Quid juris?

Anónimo disse...

Se Manuela Ferreira Leite é a nossa Dama de Ferro, então Alberto João Jardim é sem duvida o nosso Churchill.
Pena é que não vivemos numa ilha com cultura democrática, e que Maria de Lurdes Pintasilgo tenha sido a nossa primeira PM.
Margaret Tatcher foi eleita em 1979, estamos em 2008. Novas politicas, estratégias e visões são indespensáveis.
O PSD tem de ser uma alternativa!