domingo, agosto 19, 2007

Fruta...muita frutinha

Publicado na revista "O praticante", a 15 de Agosto, deixo-vos um artigo de opinião que "opina" sob os "apitos dourado" ou "encarnados", de uma forma descomprometida e ligeira.
Espero que gostem (já fiquei a saber pelo comentário no post anterior que a Natércia, que não conheço, não gosta dos meus posts referentes ao futebol. Ou será sobre os posts referentes ao Benfica?)

Nós, os amantes do desporto em geral e do futebol em particular (mas apenas os verdadeiros, porque os outros são só os verdadeiros amantes do seu clube, que querem que este ganhe a qualquer custo), daqueles que não faltam a um jogo da sua equipa, quando esta joga em casa e, altera toda a sua vida (jantares, reuniões, etc) de forma a ver sempre a sua equipa em directo e a cores, numa televisão perto de si, nós, como dizia, ficámos com uma terrível indigestão quando confirmamos tudo aquilo que se falava há anos. Afinal havia mesmo um sistema, havia mesmo um “Canal Caveira” (lembram-se do que disse Pedro Santana Lopes quando assumiu a presidência do Sporting?), havia mesmo resultados viciados, meninas (lembram-se da Famosa Paula), etc, etc.
E como ficamos nós que roemos as unhas, que ficámos de mau humor, que até chorámos, que pagámos bilhetes, que viajámos. Como ficamos agora? Vamos formar uma liga dos amantes do futebol que se sente ultrajada e pedir uma monstruosa indemnização aos culpados, por danos morais!!! Vamos?
Em parte foi bom saber, ou seja, foi bom saber que aquela amarga sensação com que sempre ficava quando os clubes rivais marcavam o sacro-santo golo no último minuto em fora de jogo claro ou através de um penalty inexistente, afinal não era mau perder meu. Era mesmo batota!! Que cada vez que o árbitro não via um penalty claríssimo a favor da nossa equipa, não era eu que estava a inventar, era o árbitro que ainda estava sob o efeito de vitamina ou calcário a mais da fruta que comera na noite anterior ou do leite que bebera.
Afinal há mesmo 20 processos que vão a julgamento, sob acusações muito sérias de corrupção desportiva (ou que a defesa vai requerer a instrução, para validar judicialmente a acusação formal do M.P.).
Mas ao mesmo tempo foi bom saber que há árbitros que gostam de fruta.
Nos tempos que correm, com as novas gerações a adoptarem a alimentação fast-food, que tanto mal faz à saudade e, sobretudo se não for uma alimentação complementada (ou essencialmente predominante) através de frutas, legumes, lacticínios. Pelo que é reconfortante saber que parte substancial da nossa arbitragem se alimenta de “fruta”. E fá-lo à noite, o que ainda é mais de enaltecer. Estamos muitos de nós a dormir e eles a comerem “fruta”. Parece que também gostam de leite. Uns preferem-no simples (branquinho), mas ficámos a saber que há quem goste com café, ou mesmo com muito café. Percebem-se agora as “magníficas” actuações de alguma da nossa arbitragem! Estão como que “dopados” com tanta fruta. Pudera!!! A fruta era variada, à escolha e até se podia repetir. Penso que até é um justo sinal de agradecimento aos dirigentes que se preocupam com a sua “saúde”.
Ficámos também a saber que havia (parece que ainda os há) quem de facto mereça o reconhecimento desses árbitros, pois, como disse, nos tempos que correm, haver dirigentes que ainda querem incutir uma alimentação saudável no seio da arbitragem, é uma medida de aplaudir.
Ficámos todos a saber que o trio de arbitragem liderado por Jacinto Paixão, era de todos o que comia mais fruta, daí o rapaz apresentar aquele ar saudável, próprio de quem come muita...fruta.
Para completar o ramalhete e como os dirigentes investiam tanto em alguns dos seus árbitros preferidos, é perfeitamente natural que os quisessem promover, pelo que se necessário fosse subiam a sua classificação ou desciam a dos outros, que para o efeito vai dar ao mesmo, alteravam os seus observadores e asseguravam a sua continuidade no seio da arbitragem, não fossem aparecer outros que não gostassem de fruta...pelo menos a que lhes era dada fora de casa.

quinta-feira, julho 26, 2007

Um Filme muito bem “encenado”




A inauguração decorria sem problemas, crianças brincavam, soltas no seu desprendimento próprio da idade, e os idosos, conformados com o que o destino lhes proporcionara, sempre iam pensando que ao menos tinham ido a Fátima. Ou melhor, passado por Fátima. Porém, uma dúvida assaltava-lhes o espírito – teria sido a providência divina que os mandara de encontro ao Primeiro-Ministro? – mas logo, outros pensamentos impuros lhes ia ocorrendo – como nos deixámos enganar?
A poucos metros, via-se o “emplastro” do nosso primeiro, refiro-me como já perceberam ao Ministro Silva Pereira, sempre sorridente e solícito para o seu chefe, sussurrando ao ouvido de um, ainda assim desconfiado, José Sócrates
“Eu não te disse Zezinho, nada de assobios como já te andavas a habituar. Isto não é o estádio da Luz, ou a inauguração de uma ponte qualquer, onde até inaugurámos sem a presença da população para ninguém perceber sua a insatisfação. Essa história de estarem todos insatisfeitos é tudo orquestrado pelos partidos da oposição e pelas televisões. O Povo, como vês, gosta muito de ti. Claro que tu lhes estás a tirar os Hospitais, os Centros de Saúde, muitas escolas, alguns Tribunais, etc. Claro que tu estás a implementar bons costumes habituando os portugueses a pagarem os seus impostos, pena é que lhes peças sempre mais, e mais, e nunca te sintas satisfeito e, em contrapartida queiras gastar esse dinheiro todo em projectos megalómanos como a OTA ou o TGV para alimentares um capricho teu, mas isso é tudo conversa da oposição, Zezinho, deves continuar assim. Não vês (?), estão todos felizes e contentes. Desde que fizeste aquilo ao Charrua, e que demitiste aquela directora do Centro de Saúde e que processaste o Prof. António Baluino Caldeira, do blogue “Portugal Profundo” por ele ter descoberto e veiculado a terceiros que tu afinal nem engenheiro eras, agora o Povo está a ficar educadinho, conforme podes ver com os teus próprios olhos, estão todos felizes e contentes. Olha, só mais uma coisinha, não te zangues, mas por uma questão de precaução e para assegurar que também aqui não eras vaiado, paguei a estes miúdos para serem figurantes, apenas lhes pedindo que dissessem muitas vivas a todos nós e “desencaminhei” este simpático grupo de velhinhos a quem prometemos uma ida a Fátima com tudo pago, mas que na volta apenas tinham que passar por aqui. Coitados, eles não sabiam que o por aqui era serem nossos figurantes, mas até parece que eles estão a gostar, não achas?
Ao que o nosso “Primeiro” respondeu atónito pela surpresa, mas satisfeito por finalmente não estar a ser apupado num acto público: “Ò Silva Pereira, que tal contratares já todo este grupo para as próximas eleições? É que pelo andar da carruagem, se continuarmos a fazer a asneira que temos andado a fazer, só mesmo se os contratarmos agora, e com contrato e tudo assinado, porque nessa altura acho que nem nós próprios lá estaremos.”
Publicado dia 25 de Julho no jornal digital "Setubal na Rede", que pode ser visto no link do lado direito do ecrã

sexta-feira, julho 20, 2007

Querem dar-nos cabo da "saúde"


Comissão Política de Secção do Seixal
Rua do M.F.A. 11. Paivas.
2845 – 380 Amora
Email: mailto:psd.setubal@mail.telepac.pt




Comunicado de Imprensa



Sr. Ministro, porque nos retira dois SAP´s (o do Seixal e do Moinho de Maré - Corroios)? Para levar a bom porto a tarefa de reduzir a margem sul a um deserto? Ainda terá muitas escolas, centros de saúde, hospitais, tribunais e outras instituições para encerrar.

Sejamos sérios:

A decisão do Ministério da Saúde de encerrar os Serviços de Atendimento Permanente (SAP) dos Centros de Saúde do Seixal e de Corroios é uma decisão economicista.

Num concelho de 165 mil pessoas onde quase metade da população não tem médico de família, e onde não há um Hospital a decisão de encerrar os SAP’s de Seixal e Corroios assume-se como absolutamente incompreensível do ponto de vista da qualidade da prestação dos cuidados de saúde.

A táctica de um governo que opta por tomar esta decisão altamente lesiva dos interesses da população revela, sem margem para dúvidas, a sua pouca seriedade e cobardia: a decisão foi parcamente publicitada além de que o timing escolhido coincide com o período de férias altura em que muitas pessoas se encontram ausentes da sua morada habitual.

O PSD não pode deixar de expressar a sua solidariedade para com a população afectada por mais uma decisão irreflectida, injusta, arrogante e economicista do Ministério da Saúde e do seu Ministro.


Pergunta-se:
1) As cerca de 8o.ooo consultas/ano que estes dois SAP's faziam estão asseguradas?
2)- Sempre foram abertas as 10 vagas médicas para Amora-corroios, conforme tinha sido prometido?
3)- A partir das 20h para onde vão as pessoas do SAP do seixal e de Corroios? são todos encaminhados para o sap da Amora? e o SAP tem condições para dar resposta?
4) Como pensa o governo assegurar a mobilidade da população, sobretudo das mais desfavorecidas, sabendo-se que o concelho é extenso e que nem todas as pessoas têm meios próprios para o fazer?

No dia 10 de Abril passado a comissão de saude da Assembleia Municipal esteve reunida, com a directora dos Centro de Saúde de Seixal e Sesimbra, onde nos foi assegurado que nenhum SAP encerraria sem que a perda das respectivas consultas ( 120.000 consultas/ano nos 3 sap's) fosse compensada pela reestruturação que o governo se propõe fazer.

Quando e, apenas quando, estas perguntas forem respondidas afirmativamente pelo governo, o PSD reavaliará a sua forte oposição contra esta medida.

Seixal, 19 de Julho, 2007

Comissão Política do PSD

terça-feira, julho 10, 2007

AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO


Foi esta semana publicada na revista "O praticante", o seguinte artigo:

"Quero, desde já, manifestar o meu mais profundo descontentamento para com a organização das sete novas maravilhas do mundo, pois é absolutamente incompreensível como:
1. Se deram ao trabalho de nomear sete, pois, jamais seria necessário escolher sete, quando uma delas vale pelas sete;
2. Vá lá que emendou a tempo e, num gesto de rara magnanimidade, a organização, quiçá forçada por um apelo à escala global, resolveu “emendar a mão” e escolher como palco do certame, precisamente o monumento de que vos falava – O Estádio do Sport Lisboa e Benfica, mundialmente (eu diria mesmo universalmente, pois parece que em Marte, Júpiter e Neptuno também o conhecem) conhecido por Estádio da Luz;
Face a esta gritante injustiça, que só poderemos atribuir ao facto de Portugal ser um País demasiado pequeno e, à semelhança do festival Eurovisão da canção, dos campeonatos da Europa e do mundo de futebol, e do FMI, da União Europeia e de todas as organizações e competições em que somos sempre prejudicados, ao Estádio da Luz não valeu, portanto, o facto de ser unanimeme e universalmente considerado o maior monumento de sempre.
Fosse o Estádio da Luz e aquele clube cujo nome arrepia só de pronunciar (Benfica, também conhecido por Glorioso), Espanhol, Francês ou Inglês e, não tenhamos dúvidas que estaríamos na eleição mais monótona de que há memória, com um vencedor préviamente anunciado, mas infelizmente estamos mesmo em Portugal.
Parece incrível como se pode colocar monumentos como a Acrópole de Atenas (Grécia), a Pirâmide de Chichen Itza (México), o Coliseu (Itália), a Torre Eiffel (França), a Grande Muralha (China), Machu Picchu (Peru), o templo de Petra (Jordânia), as estátuas da Ilha de Páscoa (Chile), Stonehenge (Reino Unido) e o Taj Mahal (Índia) ao nível desta obra singular.
Ou mesmo comparar o Templo de Angkor (Camboja), Alhambra (Espanha), a Igreja de Santa Sófia (Turquia), o Templo de Kiyomizu (Japão), o Kremlin (Rússia), o Castelo de Neuschwanstein (Alemanha), a Estátua da Liberdade (Estados Unidos), o Cristo Redentor (Brasil), a Ópera House de Sydney (Austrália) e o Timbuktu (Mali) ao nosso lindo estádio é absolutamente insultuoso.
Tivéssemos nós um governo e um presidente a sério e cortaríamos relações diplomáticas com a Suíça e com as nações Unidas e se eles não “vissem a luz” a tempo, penso que deveríamos declarar guerra, pois a organização do concurso que terminará em 7 de julho, em cerimónia no Estádio da Luz, em Lisboa, .pertence a uma fundação, com sede em Zurique.
Parece incrível como uma fundação, a "New 7 Wonders", que foi criada em 2001 pelo filantropo suíço Bernard Weber, com o objectivo de proteger o património da humanidade entre em jogadas baixas deste género. Resta saber se o Pinto da Costa não estará por detrás deste boicote
Sabe-se que mais de 45 milhões de pessoas de diversos países já votaram em seu monumento favorito para se transformar em uma das sete novas maravilhas do mundo, o que para a porta-voz da fundação New 7 Wonders ("As Sete Novas Maravillas"), Tia Viering, representa: "O facto de que gente de praticamente todos os países já tenha participado do concurso é um sinal de que a iniciativa está unindo o mundo inteiro"; Devia ter vergonha, não acham?
O estranho disto tudo é que apesar da iniciativa receber o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco) e contar, entre seus especialistas, com o ex-diretor-geral da organização internacional Federico Mayor Zaragoza, conhecidos especialistas em verdadeiras obras de arte à escala planetária, não tenham aproveitado as mais belas, entre as quais, a estátua do Eusébio, incomparavelmente mais bela do que as estátuas da Ilha de Páscoa (Chile),ou as desengonçadas correrias do Mantorras em comparação com o Cristo Redentor, sempre inerte e de braços abertos. Então se formos comparar as muitas obras de arte proporcionadas pelo Simãozinho, ao lado de um velho decrépito e abandonado Coliseu (Itália), estaremos a falar de realidades estratoféricas absolutamente diferentes.
Pensando bem, Sr. Presidente da República, aproveite o facto de comemorar o dia de Camões, de Portugal e das comunidades Portuguesas em pleno deserto de Setúbal e, uma vez que sempre tem a desculpa de estar desidratado sob um sol intenso, declare guerra às Nações Unidas e afirme de vez a voz de Portugal no mundo.

Observação: para quem não me conhece e me tomar por um individuo completamente louco pelo Benfica, quero apenas esclarecer que acertou.., contudo, este artigo é apenas uma brincadeira que visa, antes de mais, chamar a atenção de todos para a cerimónia de transcendental importância que se vai realizar em Portugal (e no estádio da Luz em 07/07/07), facto que deverá honrar todos os Portugueses."

Conforme podem verificar, o tema é consentâneo com o acordado editorialmente com os responsáveis da revista. Espero que gostem!

domingo, julho 08, 2007

AMBRÓSIO VOLTOU A SORRIR

Porque sorri Ambrósio? O que mudou para que Ambrósio já não ande Macambúzio? Ambrósio percebeu que o fim está a aproximar-se. Ambrósio sabe, pressente, intui, percebe, ouve, vê e não duvida que os tempos estão a começar a ser outros. Ambrósio libertou-se da visão passadista que tinha. Já não lê o Boletim Municipal, porque já acabou a colecção de fotografias dos autarcas comunistas. Tal como aquelas crianças que coleccionaram os cromos da bola e depois crescem, Ambrósio percebeu (tarde de mais, mas ainda a tempo) que de pouco lhe valia aquela colecção. Era um logro. Semana após semana de publicidade enganosa!!! Mal por mal sempre via a dos supermercados, que aliciava a comprar o que não precisava, mas pelo menos não o enganava.
Agora vivia com aquele sentimento de esperança, muito próprio de quem sabe que algo vai acontecer, porque se ele, homem humilde mas honrado, tinha percebido o logro, outros ex-camaradas se lhe seguiriam. Afinal até nem eram assim tantos porque as vitórias tinham sido sempre de maiorias de uma pequena minoria que votava. Apenas e só isso. Como inverter as coisas? Perguntava-se Ambrósio. Não lhe parecia uma jornada difícil, pois para isso basta que os seus concidadãos se vão apercebendo da má qualidade de vida que têm, dos sucessivos maus negócios que a Câmara faz, endividando e continuando a endividar os já muito depauperados cofres da edilidade, deixando uma pesada herança para o Ambrosino, seu filho, que coitado, vai herdar toda esta dívida, mas já não vai ter espaços verdes e continuará a não ter ciclo vias, não terá sequer uma praia como a ponta dos corvos recuperada, como era obrigação de quem manda. E a Baía? A tão bela e sempre apregoada Baía, tão maltratada que ela é pelos seus ex-camaradas. Ele no seu íntimo sempre se interrogou: Eles gostam mesmo da Baía? Se gostam, fará se não gostassem!!! Pronto, cada um tem as suas formas de gostar!! Não podemos ser muito exigentes com quem não pode, sabe ou quer dar mais, pensou. E como seria bom ter uma ciclo via ou um passeio de Miratejo até à “Seca do bacalhau”, para ir passear até à ponta dos corvos! Oh, se seria! Ou ir à praia, sem ter de ir para a Costa. Como seria bom que Pinhal dos Frades tivesse um espaço lúdico aproveitando os seus recursos próprios em vez de estar a ser completamente desbastado para se construir mais uma selva de...betão! Estaria Ambrósio a sonhar? Ele sabia que sim. A única dúvida era se no tempo que resta de mandato os seus ex-camaradas conseguiriam destruir tudo. E os transportes? Mesmo não sendo uma responsabilidade da câmara, também ninguém via a Câmara a contestar nada. Nem a falta de articulação, nem os preços, nem a falta de estacionamentos, nada!! Temos uma Câmara, perguntava-se o bom do Ambrósio. Esta semana tinha jogado na mais recente aposta dos munícipes? Ele tinha apostado que uma das viagens do Metro Sul do Tejo tinha 4 passageiros (claro que nesses ele já incluía a tripulação – condutor e fiscais). Neste momento a maior aposta ia para 6 passageiros, de um crente, claro. Parece que quem acabou por ganhar a aposta foi o nosso Ambrósio. A propósito, alguém já viu mais do que um passageiro por viagem dentro do MST?
Ambrósio andava com uma dúvida existencial: se o comunismo tradicional tem uma forte matriz social, como pode a CDU do Seixal estar tão arredada dos interesses das populações? Seriam eles uns infiltrados? Ou seriam tão modernos, tão modernos que resolveram ultrapassar todos os outros partidos pela direita? Porque estavam eles mais empenhados em construir condomínios de luxo do que no PER (Plano Especial de Realojamento). Essa não deveria ser a sua prioridade? Realojar as pessoas desfavorecidas? E as acessibilidades? O que têm eles feito nessa área? E quais as medidas que tomou para facilitar a vida aos deficientes motores? Ambrósio dá um rebuçado se alguém se lembrar de uma. Assim como o ambiente e qualidade de vida, não devia ser a prioridade dos “verdes”, parceiros do PCP na CDU? Mas o estranho é que o único partido que se preocupa com essas coisas todas era o PSD.
Por fim, Ambrósio que acompanhava as Assembleias Municipais, não compreendia como era possível essa mesma CDU votar contra todas as propostas que verdadeiramente defendiam a população, apenas e só porque eram apresentadas pelo PSD. Que argumento mais retrógrado! Não votam porque estão lá para cumprir o mandato que o povo lhes deu. Ambrósio nesse momento percebeu: Deu, mas vai tirar!
Nota : Começou a semana passada a repetição do julgamento no Tribunal do seixal relativamente à criança morta após queda numa tampa de esgoto da autarquia. Não vou fazer política com isso. Abomino essa ideia, mas pessoalmente tenho o direito de expressar o meu profundo lamento por toda esta situação. Era mesmo obrigatório expor aquela mãe a um novo sofrimento com a repetição do julgamento? Não teria a autarquia conquistado muito mais o nosso respeito (não falo de votos, falo de respeito) se encontrasse uma plataforma de acordo com a família enlutada? Pois é, depois admirem-se que o povo volte as costas aos políticos!

Publicado no "Jornal do Seixal", ontem, sábado, dia 7 de Julho de 2007

quarta-feira, julho 04, 2007

PERFIL IDEAL DE UM CANDIDATO: ACUSADO!!!


«A discussão seguia acalorada. O poder de argumentação era usado até ao limite. Não era de estranhar. Trava-se de uma discussão entre políticos. Tornava-se difícil escolherem o perfil do seu candidadto às próximas eleições. Havia opiniões para todos os gostos. Uns preferiam o chamado candidato institucional. Não acrescenta nada ao partido, não dá um único voto a mais, mas o risco é quase nulo. Também não se perde nenhum. Outros ainda optavam por argumentar que dever-se-ia apostar num líder jovem, o que era olhado com desconfiança por uma grande maioria que alertava para a sua inexperiência. Mas a maioria clara já tinha o seu perfil encontrado: tinha de ser um indivíduo que tivesse uma acusação criminal contra si. Havia um pequeno problema para aquele partido, naquela localidade: não havia ninguém que reunisse esse requisito. Estava tudo perdido. Não havia mesmo ninguém? Um só crimezinho? Então como podiam ganhar essas eleições? Para os mais intervenientes era um assunto que nem se discutia: o Paulo Pedroso não tinha sido levado em ombros quando saiu da prisão? E o Major? Que interessava o apito dourado. Qual apito dourado, qual carapuça. Aquilo até lhe tinha valido uns votitos. O homem apresentou-se como vítima e o povo vai logo atrás. E a Fátima Felgueiras então? A mulher até se tinha dado ao luxo de fugir para o Brasil, ficar lá todo aquele tempo a receber o ordenado e tinha tido a coragem de voltar para a sua terra a tempo da reeleição, ora, aquilo é que é uma mulher corajosa, dizia um outro. “não vás mais longe, disse um terceiro, então o Isaltino, coitado, confundiram a conta dele com a do sobrinho e queriam dar cabo da carreira do homem. Isso faz-se agora? Toda a gente sabe que um taxista na Suiça ganha muito mais do que um presidente de uma Câmara em Portugal”mania de se perseguir os políticos, concluiu.
A discussão não terminou sem que acabassem no Prof. Carmona Rodrigues. “Esse também é um homem de coragem”, dizia ainda um outro, “pena foi que tivesse permitido que os seus vereadores acusados pelo Ministério Público tivessem abdicado e ele próprio não tivesse feito o mesmo” “coitado do homem, vítima de uma cabala, é injusto que perca a Câmara de Lisboa, mesmo que se prove que ele é culpado”. Para finalizar a discussão, um outro militante dizia:”então se eles estavam a roubar, mas faziam bem ao povo, qual o mal? os outros não fazem o mesmo?”, questão felizmente respondida por um defensor de outro perfil e claramente mais esclarecido que disse: em primeiro lugar eles estão só acusados e não condenados, pelo que se deve aplicar o princípio “in dúbio pró reo”, em segundo lugar não se pode confundir todas as acusações, pois podemos ser acusados de crimes ocorridos no e devido ao exercício do nosso mandato e outros que nada tenham a ver com o nosso mandato, mas que necessariamente, no entender desse militante, os enfraqueciam em termos de legitimidade democrática, conforme teve oportunidade de explicar. A discussão não terminou, sem que alguém lembrasse o caso de Setúbal, onde alegadamente o anterior presidente foi convidado a renunciar antes da acusação contra si deduzida e a nova presidente não o foi. Dois pesos e duas medidas. Pelo menos o Marques Mendes sempre foi coerente, dignificando a classe política, concluiu. Era preciso decidir e, tendo ganho a corrente que defendia que um acusado era o ideal, lá escolheram um entre eles, combinando qual o crime que ele cometeria. Depois estaria pronto para ganhar essa Câmara».

Nota: esta história ficcionada visa alertar para uma situação que me preocupa e que, penso, está na origem de um recrudescimento da perda de popularidade dos políticos. Urge os partidos entenderem-se e tomarem medidas corajosas como a que o Dr. Marques Mendes tomou. Gostem ou não dele, não discuto isso, mas pelo menos tem o mérito de arriscar perder a maior, mais importante e simbólica Câmara do país – Lisboa, para não perder os seus valores, aquilo em que acredita, defende e pugna perante terceiros. Tiro-lhe o meu chapéu, e entendo que o PSD vai ganhar muito a longo-prazo, ainda que reconheça que politicamente é um erro incrível a curto-prazo, mas admiro aqueles que colocam os valores morais acima dos seus interesses particulares,.

Publicada hoje, dia 4 de Julho, no Jornal Digital "Setubal na Rede", cujo link está neste blogue, do lado direito.

terça-feira, julho 03, 2007

As estranhas posições assumidas pela CDU na assembleia Municipal

MOÇÃO


Considerando que:

Pese embora, no decorrer da última campanha eleitoral para as autarquias, o então candidato da CDU e actual presidente da Junta de Freguesia de Fernão Ferro, tenha, entre outras promessas incumpridas, obtido votos por, alegadamente face à sua determinação, ter conseguido dotar a freguesia de um posto de Correios, verifica-se que essa melhoria, não tardou muito e ao fim de ano e meio o Posto fechou!

Actualmente, os moradores de Fernão Ferro deixaram de ter direito ao imprescindível serviço postal regular, como qualquer das outras freguesias!

Situação que acarreta incalculáveis prejuízos a todos os seus habitantes e é inqualificável em pleno século XXI;



A Assembleia Municipal do Seixal reunida em sessão ordinária, aos 27 dias do mês de Junho de 2007, delibera:
- Enviar uma missiva ao responsável dos Correios de Portugal, manifestando a sua preocupação perante esta situação e apelando a uma resolução urgente para a abertura de uma delegação postal em Fernão Ferro;



O Grupo Municipal do PSD:


Sabem como votou a CDU?
Adivinharam:CONTRA!!!
Dizem que por causa dos considerandos....

sexta-feira, junho 29, 2007

As respostas da nossa Câmara !!!

Decorreu, na passada quarta-feira, mais uma Assembleia Municipal do Seixal.
É um direito dos nossos munícipes terem acesso ao que é discutido nesse fórum, embora também possam participar/assistir à própria Assembleia Municipal, se assim o entenderem.
Como o Boletim Municipal apenas nos/vos transmite tudo a uma só cor (vermelho) e, como sabem dessa cor apenas gosto se estivermos a falar do glorioso, trago-vos nos próximos dias as moções e pedidos de esclarecimento que apresentámos e as respectivas respostas, ou ausências delas, quer da parte do executivo, quer da maioria que o suporta.
Comecemos pelo pedido de esclarecimento seguinte, apresentado por mim, em nome da bancada do PSD.


PEDIDO DE ESCLARECIMENTO

O grupo municipal do PSD, tem vindo a acompanhar com bastante preocupação, as últimas notícias relativamente ao alerta lançado pela população de Pinhal dos Frades numa zona de pinhal e sobreiros (misto de Pinheiros bravos de porte, sobreiros e outra vegetação mediterrânica, giestas, rosmaninho, alecrim, medronheiros - habitat natural de inúmeras espécies que, para agravar a situação, neste momento estão no seu período reprodutivo)junto da A2, considerada como Mata e Maciço Arbóreo no Plano Director Municipal, que, alegadamente, está a ser ilegalmente arrasada, desde a semana passada


Face ao exposto, vem, de acordo com a alínea j), do n.º 2, do Regimento da Assembleia Municipal do Seixal, PEDIR EXPLICAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS ao Senhor Presidente da Câmara Municipal do Seixal sobre esta situação


Pergunta-se:


1. Está a ser efectivamente amputada, em Pinhal dos Frades uma zona verde e protegida no próprio Plano Director Municipal do Seixal?

2. Caso a resposta seja afirmativa, que medidas tomou a Câmara Municipal para combater esta ilegalidade?

3. A serem verdadeiras estas notícias, vai a Câmara reflorestar a zona? E quando?

O que respondeu o executivo? bem, que de facto tinham conhecimento do abate e comunicaram às entidades competentes e que o abate dos pinheiros estava perfeitamente licenciado pelo período de um mês, pela Direcção Regional dos Serviços Florestais.
Solicito a quem tiver mais informações (as que a Câmara não nos prestou) que as deixassem em comentário ou, se preferirem, apenas via e-mail.
Podem e devem também comentarem o que se vos aprouver em relação a esta questão.

segunda-feira, junho 25, 2007

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: ASAE INVESTIGA MANDU´S BAR

Fontes bem informadas, mas anónimas como convém, garantem ao subscritor deste documento que a ASAE (quem não a teme??) tem andado a investigar a actividade exercida nesse local de culto. Com o processo de informatização entre os diversos sectores do Estado cada vez mais aperfeiçoado parece que o Ministério Público está atento ao que se passa, pois, dizem-nos (e nós acreditamos) que o seu proprietário e grande impulsionador terá de se refugiar num qualquer Pais onde o crime que dizem que cometeu não seja ainda punido. Mais grave, toda a família, amigos e até alguns conhecidos que frequentam esse espaço também serão alvos de grandes represálias por parte dessas entidades supra referidas.
Ao que se sabe, já há muito tempo que a ASAE tem acompanhado a situação, ficando confusa com o facto de as pessoas (muitas) acompanhadas de crianças, todas elas bonitas, saudáveis, felizes, aparentando estarem numa situação de vida aceitável, se dirijam a esse local, por vontade própria, munidas de excelente disposição, coisa rara nos dias de hoje e saiam do mesmo local muitas (mas muitas mesmo) horas mais tarde e, pasme-se, ainda mais satisfeitas e felizes.
Para as autoridades, num País que vem atravessando uma profunda crise económica, conjugada com os naturais efeitos provocados por essa crise económica, como sejam a “cara feia”, má educação característica de quem está de mal com a vida, pouca vontade de se divertirem, etc, é extremamente estranho e, sobretudo bastante revelador para essas mesmas autoridades que no “Mandu´s Bar” ocorra o inverso.
Mais, mesmo após aturadas investigações não se vislumbram entre os seus membros quaisquer outras características do nosso bom povo, como sejam serem “comezinhos”, invejosos, indisciplinados, abusadores. Nada. As autoridades, revelou-nos igualmente a nossa fonte, procuraram, inclusive através do recurso a escutas telefónicas e gravações de vídeo.
Para agravar esses indícios, sabe-se que no passado Sábado, dia 23, ocorreu mais um encontro desse grupo de amigos, com evidentes e preocupantes sinais (para as autoridades).

Antes de mais, torna-se evidente que, com total impunidade e tranquilidade por parte dos membros mais antigos, o grupo de suspeitos está a crescer, sem que haja o mínimo de indícios sequer de esconderem esse facto. Mais grave se torna a situação, quando se sabe que devia haver, no mínimo, um certo decoro dos seus membros, pois se grande parte da população vive infeliz, fazendo gala de não conviver muito com os amigos, ou de nem sequer os ter, de não dançar, conversar, ou qualquer outra actividade lúdica, como podem estes indivíduos terem esta distinta “lata”, perguntam as autoridades(?).
Por fim, sabe-se que o casal Prata, aparentemente no caminho da salvação, pois faltou ao encontro, ainda assim, será também ele incriminado pelas autoridades, na medida em que foram apanhadas comprometedoras escutas telefónicas onde estes anunciavam ter chegado bem ao seu destino de férias e que queriam mandar um abraço a todos os presentes. Coitados, com esse telefonema, as autoridades terão um importante meio de prova.
Outro casal, os Faria, mesmo tendo em conta que chegaram mais tarde e saíram mais cedo e que contam no seu seio com um excelente advogado, ainda assim, nunca conseguirão uma absolvição, na medida em que a acusação que incidirá sobre todos é demolidora: O bocado de tempo em que eles lá estiveram, foi muito bom para todos e, nestas coisas conta mais a qualidade do que a quantidade.
Apurámos igualmente, e para finalizar, que o casal Leo, Maria Helena e filhos, mesmo alegando que apenas foi levar o presente dos aniversariantes, não terá como negar às autoridades que só com grande amizade e cumplicidade é que produziriam um presente tão bonito (feito pelo Leo), muito menos conseguirão explicar o motivo pelo qual dançaram, conversaram, comeram e beberam, perfeitamente integrados no grupo. Para a próxima ao menos finjam que não estão a gostar, mas segundo as nossas fontes, já não conseguirão safar-se da acusação.
Aos novos membros do “Mandu´s Bar” (casal Cohen, casal Ferreira, mas rebaptizado de faria II e casal Centeno), esses também não conseguirão provar que não gostaram, que não se divertiram, que não dançaram, conversaram, nadaram, comeram ou beberam, pois as provas do contrário são irreversíveis e extremamente comprometedoras.
A acusação de que todos seremos alvo, diz-nos a fonte, é que não cumprimos o estipulado numa regulamentação aprovada há pouco tempo pelo governo, mas mantida em segredo: NÃO PAGÁMOS O IMPOSTO DA FELICIDADE.
O Dr. Serra Coelho e a família terão seguramente uma pena agravada, pois para além de tudo ainda fomentam o crime de que seremos todos acusados ao nos receberem da forma excessivamente amiga que os caracteriza que, aliás, já é internacionalmente conhecida.

sexta-feira, junho 22, 2007

Rally dos Pontos Negros no Seixal

O PSD-Seixal organizou no passado dia 27 de Maio um Rally-Paper pelas ruas do Seixal. A iniciativa de cariz recreativo e político pretendeu mostrar a militantes e simpatizantes do partido alguns dos que consideram ser pontos negativos do Concelho. A actividade culminou com um churrasco e entrega de prémios na quinta de Duarte Rodrigues, pai do deputado do PSD Luís Rodrigues.

O Rally-Paper organizado pelo PSD teve como finalidade central conduzir os participantes pelo percurso dos “pontos negros” no Concelho do Seixal, nomeadamente nos aspectos ambientais e urbanísticos. Contudo, não apenas com o sentido de ser uma acção critica à governação da CDU, mas também de mobilizar e unir os militantes, segundo revelou ao JS, Paulo Edson, presidente do Núcleo laranja do Seixal.
Há cerca de 12 anos que não se realizava uma actividade do género na estrutura local do PSD, tendo participado neste Rally, 65/70 pessoas em doze viaturas. Marques Mendes, o líder social-democrata, havia também confirmado a presença, mas devido às eleições na Câmara de Lisboa, acabou por desmarcar.
O Jornal do Seixal foi convidado para acompanhar a prova e tomou lugar na viatura do presidente da concelhia laranja, Paulo Edson Cunha. A aventura começou junto à Moviplus e seguiu para o Amora Futebol Clube. Alguns quilómetros à frente somos alertados: “não aceleres! Estás na Estrada do Talaminho”, lê-se no percurso. Curva contra curva, seguimos com cautela. A estrada é estreita, não se vê bem o que vem no sentido oposto e as raízes das árvores já rebentaram à muito o piso. Passada a Quinta da Princesa, “na rotunda, segue em direcção às quintas até à outra rotunda. Para onde vais se passares o viaduto no sentido Norte-Sul?”. Pergunta difícil. Observando com atenção reparamos que o viaduto não leva a lado nenhum. Ele existe, é um facto, mas não está concluído. Obra que ficou interrompida pelo processo do abate de sobreiros na Quinta da Princesa.
O regulamento guia-nos pelas 7 rotundas de Corroios em direcção ao Bairro da Quinta das Lagoas. Para trás fica um viaduto, frequentemente entupido por camiões que ali ficam encravados. “Antes da bandeira do Benfica, quantas caixas do correio existem?” Duzentas e sessenta e uma. Ou seja, na Quinta das Lagoas moram cerca de duzentas e sessenta e uma famílias. Não parecem muitas, mas há que ter em conta que é apenas um amontoado de barracas, aparentando não oferecer condições mínimas de habitabilidade. Restará saber quantos
membros tem cada família e quantas aqui há ainda que não têm caixa de correio.
“Sempre em frente, até à louça. Vira à esquerda e contorna o ferreiro. Não sonhes em ir em frente! Com a A2 à tua esquerda vais no bom caminho”. Estamos na estrada que leva ao HK, «aquela que, segundo Paulo Silva, da CDU, não tem buracos, tem altos», disse Paulo Edson.

Somos então encaminhados para a Travessa de Vale de Chícharos, vulgo Bairro da Jamaica, deixando para trás mais um “comboio” de rotundas. A Torre de Babel recebe os visitantes. A degradação salta à vista. Paulo Cunha fala na necessidade de realojar rapidamente estas famílias, no seu ponto de vista outro dos Pontos Negros locais.
As indicações levam-nos a outra freguesia. Passamos a Flor da Mata, a Quinta das Laranjeiras e vai-se descobrir um trilho a que alguém achou por bem chamar Avenida do Seixal. «Devia ter trazido o jipe», diz o nosso cicerone ao olhar para o estado da estrada. «Afinal o Paulo Silva tinha razão porque a estrada do HK em comparação com esta parece uma auto-estrada do século XXII», afirma ironicamente. “Tenta tirar uma foto do piso, mas sem buracos!” pedia o “rod book”. Eles tentaram mas a tarefa era quase impossível.
“Sempre na mesma Avenida, mas já no alcatrão, vira para o mercado. Pergunta onde fica o cemitério de Fernão Ferro”. Assim fizemos, mas apesar de o presidente desta Junta de Freguesia ter escolhido um em muitos modelos de toda a Península Ibérica, uma moradora disse que não existe cemitério em Fernão Ferro, embora muita gente neste dia lhe tivesse feito esta pergunta.
Somos então encaminhados para a LUSOCIDER. Ir até lá seria fácil, não fosse o percurso predefinido pela organização: “passa ao lado da entrada Norte A do mercado e vira à esquerda. No primeiro STOP segue para a direita, segue até à rotunda onde viras à direita e passa pelos arquitectos”. Passámos pelo mercado uma, duas, três, tantas vezes que perdemos a conta. No STOP virámos à direita, à esquerda, voltámos a virar à direita e nada de rotunda. Ao contrário de Corroios e da Cruz de Pau, as rotundas não abundam em Fernão Ferro. Com excepção das “rotundas galgáveis dos Redondos”.
A última parte do Rally começa um bocado à toa, junto à Siderurgia Nacional. Deparamo-nos com inúmeras hortas nas imediações deste complexo. Paulo Cunha mostra-se preocupado com o facto de os alimentos cultivados nestes terrenos serem comercializados no mercado. «São terrenos completamente contaminados. Está prevista a construção de um complexo habitacional de luxo com 3000 fogos. Pedimos à Câmara que nos apresentasse estudos de impacto populacional, mas não houve resposta», afirma. O regulamento pede uma foto da “lagoa azul”. Nome curioso, uma vez que se trata de uma poça de detritos industriais, abrir a janela do carro para a fotografar já foi desagradável por o cheiro a carvão ser tão intenso. Daqui seguimos em direcção ao almoço. Estava prevista uma passagem pela marginal, com observação de alguns aspectos da Baía do Seixal, mas que teve que ser cortada devido ao Agita Seixal, que decorria no mesmo dia.
Um almoço campestre na quinta de Duarte Rodrigues, onde alguém ironizou de “sardinhas com laranjas”. Em ambiente pautado pela boa disposição, discutiu-se política, futebol, assuntos familiares e de tudo um pouco até, até ao difícil apuramento dos resultados para a entrega de prémios, cujos primeiros lugares couberam ás equipas de: Vasco e Olga (1º) e Luís Rodrigues (2º).
Foram ainda homenageados três militantes locais do PSD, pelo seu contributo à aquisição da sede local. Terminando esta jornada laranja com lembranças para todos e um dia bem passado.

Publicado por Cátia Fazenda in "Jornal do Seixal" em 09-06-2007

segunda-feira, junho 18, 2007

DHARMÁ DHARMÁ - Ou a viagem a Smir descrita de A a Z


Meus amigos,
porque a vida não é só trabalho, muito menos política, este post é exclusivamente dedicado ao grupo de amigos que me acompanhou, assim como à minha mulher e filhos, a uma viagem a Smir, em Marrocos. Foi inesquecível!


DHARMÁ DHARMÁ

Ou a viagem a Smir descrita de A a Z


Amizade: conceito sempre presente no grupo. Companheirismo, entreajuda, lealdade. Parece que nos conhecíamos há largos anos.

Bélgica: foram os nossos maiores adversários. No Vólei de Praia. Às 11h e às 16h lá estávamos todos. Eram leais simpáticos e até jogavam bem. Mas nós jogávamos mais!

Centenos: O meu maior parceiro no vólei, futebol, ténis e atletismo foi o João Centeno, mas dessa simpática e bonita família também constam a Inês, uma Carolina com uma linda cara de malandra e cujo olhar desafia o mundo e o João, certamente digno sucessor do Centeno Pai, autêntica força da natureza. Vai um joguinho João?

Dorinhos: Vale de T(Ansos) esteve superiormente representado por este casal magnífico. O filhote fabricado (rumores que se ouviam) vai-se chamar Dharma se for homem ou Josephine (nome da outra grande música) se for menina. O Diogo terá um maninho para ir ver o Benfica?

Eu: estou a escrever este blogue que dedico a todo o grupo.

Festa: uma constante.

G.O.´s: o conceito é engraçado, eles e elas são simpáticos, mas surgiu um problema como dizer, técnico, elas sucumbiram ao charme natural dos Portugueses.

Hilário. O nosso mentor. A ele devemos a ideia deste passeio. Foi o nosso “negociador” com os Marroquinos quando chegámos à fronteira. Grande Tinoco!! Ele, a Sofia a Francisca, o Manel e o António vão ser propostos para receberam a Grande Ordem de Cristo (ou outra qualquer) das mãos do nosso Presidente no próximo dia 10 de Junho.

Irra que não me lembro de nada para esta letra. Pronto, já está. Ainda se Smir ou Marrocos começassem por I…agora assim, está mal!

Jorge, M.ª João, Marta e Joana são o simpático casal, com duas lindas filhas que compõem os Faria. E a Joana ainda trouxe um primeiro lugar num concurso de dança.
Já temos combinado o(s) itinerário(s) das férias até 2010, não é assim Jorge?

Lisboa: Saímos às 6h da manhã de sábado. Voltámos uma semana depois já próximos da meia-noite. Saudades? Algumas, mas a semana foi muito boa. Entretanto perdemos as marchas populares.

Mandu´s Bar: porque o Carnaval é quando o homem quiser, o Mandu´s Bar é onde este grupo estiver. O espírito do Mandu´s Bar esteve sempre presente e o Armando a família apenas não estiveram connosco fisicamente porque para todos foi como se lá tivessem estado.


Negas: O Negas (Fábio) foi a revelação. Filho do casal Prata (o Rui e a Cristina), irmão mais novo do Tiago (o Sportinguista com mais fair-play que conheço - mas isso passa-lhe com a idade). Numa coisa estamos todos de acordo: O Negas tem uma personalidade muito vincada!

OPA: Nós em Marrocos e o Berardo a fazer OPAS ao Glorioso.

Padre Eterno: legítimo representante de Borba foi um dos nossos tradutores e negociadores de serviço. Colocou ao serviço do grupo toda a generosidade característica dos Alentejanos. Com a sua Rosinha estavam todos orgulhosos quando a Inês, sua filha, quase ganhava o concurso de dança.

Questionários: não percebemos nada, mas mal chegámos a Marrocos preenchemos inúmeros questionários. A maior parte deles repetidos. Ainda falam da burocracia em Portugal. Será que o Sócrates não podia exportar o simplex para Marrocos?

RUI, Cristina e Marta Cohen: meus mais antigos parceiros de viagem. Se alguém se conseguir zangar com o Rui, ofereço-lhe uma prenda. Garanto-vos que é impossível! Ah, esqueci-me, se forem Lagartos, já não vale. Se forem tripeiros então... Pronto, esqueçam lá a prenda.

Sra. Loira: assim imortalizada pelo Armando. É loira, é senhora, mas é minha!! Como seu marido, fui contactado para, enquanto seu empresário, negociar o seu cachet, pois ao que me disseram as suas aulas de aeróbica foram muito apreciadas. Está tudo negociado. Para o ano vamos todos de borla e a Sra. Loira apenas tem de dar uma aula de aeróbica. Se o Sr. Primeiro-Ministro transformar oficialmente a margem sul num deserto, troco-a por 1.000.0000.000.000…………………… de camelos.

Tomás: Para ele e para a irmã (Maria) foi tudo calmo. 21h já estava ele de chuchinha na boca a dormir. Os seus Pais, Nuno e M.ª João agradeceram. Conforme combinado, temos de marcar uma sessão de autógrafos com o Dr. Nuno Faria, nosso grande campeão de TT, na próxima prova.

Únicos: para todos fomos um grupo fantástico. Único mesmo. Foi bom de ouvir. Claro que eles agora dizem o mesmo aos outros!!!


Voleibol de Praia: Allez, Allez, Voleibol. Grito dos G.O. para chamar os G.M. (todos os turistas). Desde que nos instalámos que esse grito foi efectuado por nós mesmos, pois as equipas já estavam feitas. Nós, Franceses e belgas. Lembram-se daquele velhote insuportável? Pena não ter levado com uma bolada num sítio que eu cá sei.


Xadrez: quem tinha paciência para algo que queimasse mais do que dois neurónios seguidos? Só se fosse mesmo o sol.


Zé Maria: filho mais velho dos Maldonados: O Pedro (sem a sua bina de BTT) e a Rita e irmão mais velho da madalena, habituados a este tipo de serviço deixaram-nos com uma dúvida existencial: gostaram mais do serviço do “Clube Med” ou do serviço prestado na mansão dos Dorinhos?

sábado, junho 09, 2007

Meus caros,
em virtude de estar ausente uma semana (até ao próximo dia 16 de Junho) todos os comentários que fizerem o favor de deixar, provavelmente só serão publicados nessa data, contudo, se o local para onde vou tiver acesso à net, e eu tiver tempo, procederei à sua publicação mais cedo.
Apenas faço este aviso, para não pensarem que por qualquer motivo, ou eu não quis publicar o vosso comentário, ou não foi publicado por motivos técnicos, por isso peço-vos que continuem a comentar tranquilamente que logo que posível os mesmos serão publicados.
Bom fim-de-semana.

terça-feira, junho 05, 2007

Moção

De seguida deixo-vos com uma moção que apresentei, em nome do Grupo do PSD na última Assembleia Municipal, realizada ontem (dia 4 de Junho) à noite.
O curioso é que o Sr. Presidente da Junta foi desmentir-me, acusando-me de não conhecer a Avenida em causa. Um destacado deputado municipal da CDU, acusou-me mesmo, faltando-lhe melhores argumentos, de eu nem sequer viver no deserto (desculpem..na margem sul, mais precisamente no concelho do Seixal).


Efectivamente não vivo neste concelho, mas faço cá praticamente toda a minha vida, pois tenho o escritório na Torre da Marinha e, face às inúmeras funções que exerço, tenho quase diariamente reuniões à noite, no deserto. Bem, mas isto apenas para ilustrar o nível dos argumentos da CDU. Reconheço que, à falta de melhor...

Aqui vos deixo a,


Moção

Considerando que do conceito de Avenida pesquisada no dicionário, surgiram entre outros o de “via mais larga do que uma rua e cuja faixa de rodagem tem geralmente diversas pistas para circulação automóvel”;

Considerando que automóvel é entendido como um veículo de quatro rodas, com motor próprio (accionado geralmente a gasolina ou a gasóleo), usado no transporte de passageiros e de mercadorias;

Considerando que os Autarcas do concelho do Seixal e da Freguesia de Fernão Ferro não comungam da opinião de Sua Excelência o Ministro das Obras Públicas, Eng.º (inscrito na Ordem, como ele próprio faz questão de se apresentar) Mário Lino, logo, entendem não estarmos num deserto, o que, por maioria de razão, lhes permite pensar que a circulação mais apropriada para uma avenida não seja o já por estes dias muito famoso camelo, mas sim o supra referido automóvel;

Considerando que do conceito de esburacado não consta a denominação de um destacado membro desta Assembleia eleito pela CDU que refere que determinada estrada “não tem buracos, mas sim altos”;

Considerando que quando uma autarquia dá o seu próprio nome a uma avenida, quer conferir à mesma, toda a dignidade possível;

Finalmente, considerando que em Fernão Ferro existe uma AVENIDA, denominada SEIXAL cujo percurso está totalmente ESBURACADO (ou com altos, para os que assim o entenderem), tornando-a absolutamente intransitável através de automóvel, quiçá tendo sido construída a pensar na utilização pelos camelos, animais mais identificados por circularem no Deserto;

Pelo exposto, a Assembleia Municipal do Seixal, na sua reunião extraordinária de 04 de Junho de 2007, delibera:

1 – Manifestar junto de todas as entidades competentes a necessidade urgente de reparação e repavimentação daquele troço;

Os eleitos pelo PSD:


Naturalmente que a Moção foi chumbada pela maioria CDU, e isso é bom que se saiba!

Agora deixo-vos umas fotografias tiradas no passado sábado, que desmentem o sr. Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Carlos Pereira e, demonstram ao Sr. deputado Municipal que para se estar a par das situações e defender a população, até podemos morar no Polo Norte:
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quarta-feira, maio 30, 2007

"Análise aos novos Líderes partidários"

Deixo-vos um artigo publicado no "notícias do Seixal" em Outubro de 2005. Na altura, tentava "prever" o comportamento dos novos líderes partidários. Verifique o caro "bloguer" se as fiz correctamente, ou não. A história encarregou-se de alterar "pormenores", mas, se estiverem atentos, está lá tudo. Podia ter sido escrito hoje. Reparem na subtileza da última frase. Uma pergunta malandra: quem abandonou recentemente o P.S. e vai concorrer como independente às eleições intercalares da Câmara Municipal de Lisboa?? Pois é... estava escrito nas estrelas. :=)))


"Análise aos novos Líderes partidários"

Estava o Comité Central reunido havia horas. Lá dentro o ambiente era bastante tenso. O jovem líder do Grupo Parlamentar pensava para os seus botões – chegou a minha vez, é agora ou nunca e jogou a sua cartada. Levantou-se num impulso e dirigiu-se aos camaradas presentes: "como sabem o P.S. acaba de eleger um Secretário-Geral, bonito, boa pinta, moderno e muito apreciado pelo eleitorado feminino", e prendeu desde logo a atenção dos restantes que abanavam verticalmente a cabeça em sinal de concordância. Sentindo-se confiante continuou - "como também todos sabem, os nossos camaradas socialistas apenas quiseram imitar o PSD que tem o mais mediático e apreciado político pelo sector feminino, portanto camaradas, como vêem temos que encontrar alguém tão bonito e mediático como eles" – e jogou a cartada decisiva, olhou à sua volta em tom dramático e disse: - "devemos escolher de entre nós o mais bonito, o mais mediático, o mais telegénico porque hoje a ideologia não conta". Era um argumento decisivo, pois todos olharam para os restantes partidos políticos:Santana,Sócrates e os irmãos Portas. Houve um momento de tensão. Abandonar a ideologia, os princípios de décadas apenas para não perder eleitorado?Era altura de ouvir o Ancião, que apenas era convocado para reuniões desta importância. Muito a custo devido à sua idade avançada a referência mítica do Partido Comunista referiu: "terei de concordar com o camarada Bernardino que colocou o dedo na ferida como ninguém. Camaradas, os tempos são outros, o muro de Berlim caiu há mais de uma década, os nossos adversários usam técnicas cada vez mais apuradas de marketing político. Temos de escolher um candidato jovem, que dê uma nova dinâmica ao partido, que seja bonito, telegénico como o Sócrates ou até o Santana. Num ápice quando a plateia estava absolutamente convencida e a cumprimentar o mais jovem deles todos, o Ancião concluiu: "Boa sorte camarada Jerónimo de Sousa!" Aprendi a gostar de história quando um professor do ensino secundário dessa disciplina nos alertou: Compreendam sempre o presente à luz do passado. Nele encontrarão as respostas que o presente não vos dá. Tentei seguir o seu conselho e posso dizer-vos que tem resultado. Assim compreendi melhor as posições actuais da Alemanha e da França no contexto Europeu. A guerra do Iraque, o desmoronamento da Jugoslávia, a posição da Turquia e muitos outros conflitos actuais à escala planetária. É também à luz da história que devemos compreender a recente polémica entre o Professor Marcelo e os Santanistas.Conta a história o seguinte: "três amigos com tanto de irreverentes como de inseparáveis estavam desgostosos com o rumo do País. Era o tempo do bloco central. Então criaram um movimento chamado de "Nova Esperança", que preconizava um caminho novo e diferente para Portugal. Poucos movimentos foram tão importantes para a nossa vida política contemporânea. Sabem porquê? Porque esse movimento já nos deu três primeiros-ministros e três candidatos a presidente da Republica nas próximas eleições presidenciais. Voltemos à nossa história. Esse movimento avançou um nome que seria o rosto da mudança. Ele mesmo – cavaco Silva. O tempo passou e o grupo separou-se. Santana Lopes zangou-se com o seu amigo da faculdade – Durão Barroso, e Marcelo Rebelo de Sousa rapidamente se afastou de cavaco Silva. Quanto a Durão Barroso, todos sabemos o seu percurso. Curiosamente à excepção deste último, todos os outros três foram candidatos da direita mais ou menos assumidos para as próximas Presidenciais. Primeiro Santana Lopes assumiu que o poderia ser, mas agora já não é por razões óbvias. Cavaco e Marcelo estão num "mano a mano" embora tudo possa parecer confuso, mas não tenho dúvidas: foi uma cartada política brilhante de Marcelo Rebelo de Sousa que o Governo não teve habilidade de gerir. Censura? Pura conversa. Parece que a camarada Helena Roseta sintetizou bem o sentimento vivido no congresso rosa: "não tenho nem beleza nem inteligência para ser uma socranete" Ela lá sabe o que queria dizer!!!!!!

quarta-feira, maio 23, 2007

Framboesazinha (de ouro)


Framboesa de Ouro é um prémio cinematográfico, paródia do Oscar, que premeia só os piores filmes produzidos ao longo de um ano. Actualmente é escolhido por internautas membros da "associação".

Se procurarem numa qualquer enciclopédia também verificarão que se trata de um fruto frequentemente confundido com a amora, com o seu sabor adocicado, de trago ácido.
É precisamente essa particularidade agridoce que me fez lembrar este governo.

Ora, framboesa tem tudo a ver com o nosso governo. Este governo já é larga e honorificamente vencedor da “Framboesa de Ouro”. Mais, quase me atrevo a dizer que tem direito a esse prémio perpetuamente.

A sede de poder, concentração totalitária revelada pelo Primeiro Ministro, começa a ser preocupante, deixando de ser um traço de personalidade, para uma forte patologia, que até teria a sua graça, não fosse incidir sobre todos nós. Alguns exemplos para o abismo para onde caminhamos?
Comecemos pela bizarra, mas infelizmente verídica, história de um professor de Inglês, que trabalhava há quase 20 anos na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), foi suspenso de funções por ter feito um comentário - que a directora regional, Margarida Moreira, apelida de insulto - à licenciatura do Primeiro-ministro, José Sócrates. A directora regional não precisa as circunstâncias do comentário, dizendo apenas que se tratou de um "insulto feito no interior da DREN, durante o horário de trabalho". Perante aquilo que considera uma situação "extremamente grave e inaceitável", Margarida Moreira instaurou um processo disciplinar ao professor Fernando Charrua e decretou a sua suspensão. "Os funcionários públicos, que prestam serviços públicos, têm de estar acima de muitas coisas. O sr. primeiro-ministro é o primeiro-ministro de Portugal", disse a directora regional. Motivo que ofendeu tanto a Sra. Directora Regional? um comentário jocoso feito pelo professor, dentro de um gabinete a um "colega" e retirado do anedotário nacional do caso Sócrates/Independente, que se pinta, maldosamente de insulto, leva-se à directora regional de Educação do Norte, bloqueia-se devidamente o computador pessoal do serviço e, em fogo vivo, e a seco, surge o resultado: "Suspendo-o preventivamente, instauro-lhe processo disciplinar, participo ao Ministério Público" A directora confirma o despacho, mas insiste no insulto. "Uma coisa é um comentário ou uma anedota outra coisa é um insulto", sustenta Margarida Moreira. Sobre a adequação da suspensão, a directora regional diz que se justificou por "poder haver perturbação do funcionamento do serviço". "Não tomei a decisão de ânimo leve, foi ponderada", (e eu afirmo, como actuará esta senhora quando tomar decisões de ânimo leve!!??). Neste momento, Fernando Charrua já não está suspenso. Depois da interposição de uma providência cautelar para anular a suspensão preventiva e antes da decisão do tribunal, o ministério decidiu pôr fim à sua requisição na DREN. Como o professor, que trabalhava actualmente nos recursos humanos, já não se encontrava na instituição, a suspensão foi interrompida.
Se a moda pega..

Claro que não foi o P.M. que directamente promoveu esta situação, mas sendo uma situação pública, pergunto: o que aconteceu a esta directora regional? Ninguém no Governo soube disto?
Adiante, o Governo segue perigosamente na senda da concentração de poderes no estado, retirando competências e visibilidade política a quem lhe faz frente. Tivemos a Lei das Finanças Locais, que de tão escandalosa conseguiu o feito notável de colocar toda a Associação Nacional de Municípios contra ela (incluindo as Câmaras do P.S.), a Lei das Finanças Regionais, que culminou como todos vimos na segunda maior vitória de sempre do PSD e uma clamorosa derrota do P.S. e agora prepara-se para fechar com chave de ouro (só por isso lhe ofereço mais uma framboesa) com a Novo Regime Jurídico que regulamenta as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, quando já decidiu acabar com as restantes Áreas Metropolitanas do País. Ou seja, faz exactamente o contrário daquilo que sempre defendeu, incluindo a garantia dada hoje mesmo pelo Senhor Secretário de Estado aos representantes dos partidos na Grande Área Metropolitana de Lisboa, de que essa eleição não vai ser directa. Para o comum dos leitores que não sabe sequer o que é a G.A.M.L. certamente pouco lhe interessará esta temática, mas já gostará de saber que os representantes do órgão executivo (Junta Metropolitana) deixarão de ser os presidentes das Câmaras (eleitos democraticamente, e neste particular até estou à vontade, pois o actual presidente da J-M. é do PCP) para passarem a ser técnicos indicados pelos Presidentes das Câmaras. O que pretende o Governo? Para além de ter mentido, sim porque mentiu e isso deve sempre ser dito (dou-lhe outra framboesa, sr. P.M.), pretende eliminar politicamente mais um órgão intermédio do Estado, pois, por mais competente que seja o futuro presidente, não tem a legitimidade, nem visibilidade política que tem um presidente de uma Câmara Municipal, eleito entre os seus pares (Rui Rio – percebem agora?? No Porto e Carlos Humberto na nossa AML).

Por fim, entre muitos outros assuntos, falo-vos de um que mais tarde voltarei a abordar com o destaque que merece face à sua importância social, sobretudo no nosso distrito: O Desemprego. Sr. P.M., ofereço-lhe mais uma framboesa, esta bem grande e amarga, pois o senhor também aqui mentiu aos Portugueses e vai mentindo todos os dias quando anuncia o fim do problema e, como que por artes mágicas, de repente temos o pior desemprego dos últimos 15 anos. Claro que administrativamente vai eliminando desempregados, muitos deles que ficam sem um subsídio de desemprego, para o qual contribuíram ao longo de uma vida de trabalho, mas só porque não se apresentaram numa qualquer “apresentação quinzenal”, o perdem irremediavelmente. Ainda bem que todos sabemos que o partido Socialista tem historicamente “preocupações sociais”, porque se não as tivesse...

Senhor P.M., senhor Ministro do Trabalho, o que fizeram vocês pelos mais de mil desempregados da Alcoa, aqui no nosso Distrito? E que medidas está a tomar para que a Delphy não encerre a sua fábrica no Seixal? Ou prefere esperar que também aconteça, como aconteceu na Guarda esta semana, para tentar encontrar uma solução? Se o assunto não fosse tão sério, dir-lhe-ia que fez por merecer todas as framboesas que amavelmente lhe ofereci neste texto. Estou certo que mais tarde ou mais cedo, o povo oferecer-lhe-á uma bem grande e amarga.

domingo, maio 20, 2007

Um Conto (lá para 2008)

Em Setembro de 2006, escrevi um artigo no extinto "Notícias do Seixal" e publiquei-o também no "Setúbal na Rede". Entusiasmado com a adesão de leitores amigos que se pronunciaram favorávelmente ao seu teor, fui desafiado por pessoa amiga a inseri-lo no, à altura, novo portal do também novo semanário - "O Sol". E assim criei o nick-name "solícito" e publiquei o artigo. Foi, para surpresa minha, um artigo bastante polémico, visionado e, sobretudo, comentado.
Foi criada uma tabela onde os mais visitados e mais comentados entravam em destaque. Esse post/artigo esteve semanas a fio como o mais comentado e dos mais visitados, de tal forma que tiveram de mudar a metodologia dos blogues em destaque para o tirarem de lá.

É esse post que eu aqui vos deixo. Embora com quase um ano, verifiquem que está quase actual. Espero que gostem! Limitei-me a fazer uma cópia e, se quiserem até podem aceder aos comentários. Alguns muito interessantes e de pessoas com responsabilidades no concelho (embora sob o terrível manto do anonimato).

UM CONTO (LÁ PARA 2008)

O Zé (Povinho) acordou novamente sobressaltado. Aquele verão havia batido todos os recordes. Era o tempo com picos de calor inigualáveis, eram os acidentes de carros em contra-mão (se calhar era melhor adoptarmos as regras dos Britânicos e conduzirmos ao contrário), era o seu despedimento como funcionário público, era a Internet, que, coitado, manifestamente não dominava, mas que o obrigavam a pagar tudo por lá, enfim, era a vida miserável com o Petróleo a mais de 150 dólares o barril a impossibilitar sequer sonhar em pôr um litro de gasolina no seu carro parado há mais de um ano, ou a nova taxa que o governo tinha inventado para pescar, imagine-se, já nem se pode levar o filho ao rio para lhe ensinar a arte milenar de lançar o isco sem que lhe apareça um fiscal à perna a pedir a licença). Coitado do Zé, não podia sair à rua durante o dia por causa do ozono com níveis proibitivos. Já não podia ir passear á serra porque os incêndios tinham destruído tudo. Ia ver o quê? Cinzas? Restava-lhe o subsídio de Desemprego, mas até isso já tinha novas regras. Ainda teria direito? Teria direito a algo que não pagar?

Ainda se lembrava com saudades do ano de 2006. “Saudades, como é possível!!?”, pensou, mas sim, tinha mesmo saudades. Qualquer pessoa diria que aqueles primeiros meses de 2006 não deixariam saudades a ninguém, mas também ninguém sabe o futuro, não é? E não é que aquilo que parecia um pesadelo em 2006 afinal de contas era apenas um presságio do que se iria passar, logo a seguir? “Como é possível?”, repetiu para si mesmo Que saudades que ele não tinha de ver um jogo de futebol do campeonato Português. E de ver as equipas Portuguesas nas competições Europeias, mas desde Setembro de 2006, que a FIFA tinha suspendido o futebol Português do seu seio. Devíamos esse “favor” ao inenarrável António Fiúza, ex-Presidente do defunto Gil Vicente, também ele irradiado, ao Major Valentão e afins. Era para aprendermos, diziam alguns. Só que esses intelectuais não sabem que o futebol, ainda assim, era das poucas alegrias que os portugueses tinham. Falar de quê? Do desemprego, sempre a subir? Do IRS que o Governo tinha prometido que baixaria e que fez sempre precisamente o contrário. Do interior que o Governo tinha feito questão de desertificar de vez ao fechar as poucas escolas, maternidades, hospitais, tribunais, etc, etc.

O País agora era próspero, diziam eles, só os departamentos que davam lucro é que estavam abertos. Hospital que não desse lucro fechava. Doentes? Vão para Espanha, dizia o Ministro. Eles mandam-nos médicos e enfermeiros, nós mandamos-lhes parturientes e doentes. Operações? Já não há lista de espera: fazem-se em qualquer hospital da U.E. E tudo porquê ou para quê? Para pagar o deficit das Finanças Públicas que eles nunca tinham conseguido baixar, aliás, tinham-no aumentado sucessivamente. “Como é possível?”, continuava o Zé desesperadamente a pensar. Tantas medidas, tantos sacrifícios pedidos aos contribuintes, despedimentos na função pública, cortes orçamentais e não conseguiam baixar o seu próprio orçamento? De facto há coisas que o Zé não conseguia entender:”se não conhecia ninguém contente com o desempenho do Governo, se todos estavam de acordo com a sua péssima gestão, apenas atrás do brilho fácil, como conseguia um governo assim sobreviver nas sondagens? Lembrava-se de ter ouvido qualquer coisa a respeito de uma jovem Austríaca de 18 anos, de nome Natasha que tinha ficado cativa do seu agressor durante 8 anos e que quando foi libertada chorava a sua morte. Os especialistas chamam-lhe “Sindroma de Estocolmo”, ou seja, agressor e agredido criam laços tais que o agredido confunde o temor que o agressor lhe incute, aceitando qualquer concessão que este lhe faça como sendo uma grande benesse. Está explicado, o País vive esse sentimento em relação ao Governo, sobretudo ao PS. Quanto pior eles nos fazem, mais agradecidos estamos por não nos terem feito ainda pior. E ainda podem fazer pior? Essa é a questão!

O Zé também estava triste com o que a CDU lhe havia feito. Ainda tinha na memória o que esse partido havia feito ao ex-Presidente da C.M.Setúbal e agora ouvia dizer que iam fazer isso também no Seixal. Não é que gostasse muito do Presidente, ou que tivesse muitos motivos para apreciar a sua obra, mas não está certo, afinal de contas tinha votado naquele Presidente. Que não, diziam os puristas da lei, não se vota em Presidentes! É tudo legal, não há dúvida. Mas é justo? Foi justo quando o mesmo Zé havia votado no Durão Barroso e ele foi para Bruxelas? Não foi, mas aí o povo teve oportunidade de castigar o seu Partido. Com o Carlos Sousa, os Setubalenses tiveram que “gramar” com uma Presidente que claramente não era em quem tinham votado durante quase um mandato inteiro. Sendo assim, o PS da próxima vez pede o Sócrates emprestado e o PSD pede o Cavaco, num qualquer concelho adverso, eles ganham e depois vão-se embora. Gostavam? Mas era legal, sabiam? Aí talvez compreendessem que o que verdadeiramente está em causa: não é se é legal ou não, mas sim se o Povo foi ludibriado ou não.
NOTA DO AUTOR: Este texto é pura ficção, não pretende bulir com a dignidade de nenhum dos citados, nem sequer brincar com a dignidade institucional que o cargo dos citados requer, mas apenas adaptar a realidade conjuntural ao meio, ajudando assim a que se compreenda melhor a situação vivida.

quarta-feira, maio 16, 2007

No meio de nada para lado Nenhum...OTArios


Tento visualizar mentalmente, mas o cansaço não permite. É isto. Ou será algo parecido? Mas certamente que a ideia é esta. Está lá toda. O PSD nacional fez uns outdoors, que certamente os leitores já os viram na rua, que diz algo como isto: "no meio de nada para lado nenhum", querendo significar a falta de rumo deste executivo. Não sei se a mensagem é eficiente, não sei sequer se passa para os cidadãos, sei sim que se eu fosse um dos administradores do consórcio do novíssimo Metro Sul do Tejo estaria seguramente muito incomodado com a mensagem porque mesmo todos sabendo que a mensagem não se destina a esse meio de transporte, nem a esse percurso, diria que se tivessem pago à melhor agência do mundo de publicidade, jamais elas diriam algo tão realista.


A quantas pessoas servirá realmente aquele troço agora inaugurado? A esses privilegiados pergunto: não prefeririam que lhes alugássemos uma limusina para fazerem esse percurso, porque sendo tão poucos e a obra tendo custado tanto dinheiro, certamente que sairia, ainda assim, mais barato ao erário público.

E, no fundo, é isto que incomoda o bom do cidadão. Aquele a quem as notícias aterradoras chegam diariamente. Ele é o facto de termos a maior quebra do poder de compra dos últimos 22 anos. Ele é a maior taxa de desemprego dos últimos não sei quantos anos (segundo o critério mais fiável do INE e não o apontado pelo IEFP que seguramente está correcto mas não se refere ao desemprego real, mas sim às anulações administrativas). Ele é a maior incidência fiscal de sempre. Eles são impostos novos (até para pescar, meus amigos, agora se paga, qualquer dia vamos na rua a caminhar, ou praticando o aconselhável jogging e lá teremos o Sócrates à perna cobrando-nos um qualquer novo imposto). Ele é ainda a terceira (já com os novos aderentes) pior taxa de crescimento da União Europeia. Ele é o Tribunal de Contas a reafirmar que o Governo contratou assessores em excesso, lesando o estado, e afirmando-o em segunda via, já depois de o mesmo governo ter contestado os primeiros números avançados, e perguntamo-nos – então, tantos esforços é para isto?

O que está em causa não é o rigor orçamental, não é uma maior justiça e equidade da máquina fiscal, não é aparecerem impostos novos ou termos impostos que quase “assassinam” algumas actividades como seja a automóvel onde o cidadão para comprar um automóvel paga quase mais de impostos do que pelo automóvel em singelo, mas sim a aplicação do nosso dinheiro. Sim, nosso. Todos nós contribuímos, mas depois não temos sequer uma palavra a dizer.

Depois não compreendemos porquê que o Sistema Nacional de Saúde não contempla a nova vacina contra o cancro do colo do útero. Cada mulher que morrer com um cancro no colo do útero, por não ter tido meios de tomar a vacina será uma vida que o estado está a desperdiçar, e a troco de quê? Se calhar da indemnização monstruosa que vão dar à concessionária do Metro Sul do Tejo pelo atraso no início da circulação de mais de 2 anos. Ou esse dinheiro irá para o TGV? Um país que fecha urgências, hospitais, SAP´s, escolas, por não ter dinheiro, ou supostamente por estas apresentarem resultados líquidos negativos, tentando com essa medida racionalizar meios, mas esquecendo a função de estado social de direito, de Estado gerador de emprego, de corrector das assimetrias, esse mesmo estado já tem dinheiro para se aventurar no TGV?

É tudo uma questão de opção, meus amigos. Se qualquer um de vocês puder ter uma vivenda, com uma piscina, ar livre, espaço para os vossos filhos crescerem saudáveis certamente que não viverá num minúsculo apartamento, rodeado de prédios, respirando o ar da cidade e, com uma quase exclusiva actividade a televisão. Se com as suas economias puder mudar desse minúsculo apartamento, mas tiver de optar entre a tal vivenda, mas sem dinheiro para o resto, como sejam, a educação do filho, saúde, alimentação rica e saudável ou mudar-se para um apartamento ligeiramente maior e melhor, contudo sem piscina, mas com o resto dos requisitos, o que prefere o leitor?

Pois bem, o Estado prefere, com o nosso dinheiro, ir para a vivenda (TGV e OTA) e passar fome. São opções, que temos de respeitar, mas das quais não devemos nunca deixar de as denunciar, porque em vez do TGV, Portugal neste momento teria outras opções estratégicas, suficientes e mais baratas (sabem quantos países da Europa têm o TGV? Procurem a resposta a esta pergunta e talvez se surpreendam), assim como tem melhores opções técnicas e de custo relativamente à OTA, mas inexplicavelmente está-se a comportar como o tal “pobretanas” que mal tem dinheiro para comer, mas que compra a tal vivenda só para a exibir a terceiros. Por isso digo: Não Sejamos OTArios. À OTA devemos dizer não!

Uma última nota: tenho a certeza que quando passarem pelo tal cartaz do PSD todos que leram este artigo até ao fim irão tentar confirmar se a mensagem era a mesma do título deste artigo, pelo que, mesmo que não seja, o meu objectivo estará plenamente conseguido: repararem no outdoor e pensarem na sua mensagem. Desculpem-me a malandrice.

Paulo Edson Cunha in "Setúbal na Rede" - 16-05-2007

segunda-feira, maio 14, 2007

TUDO A NÚ

De agora em diante editarei alguns dos primeiros textos que escrevi no já extinto "Notícias do Seixal". Tudo começou em 2004, era eu director do Centro de emprego e aceitei o convite com a condição imposta pelos meus superiores hierarquicos de não falar sobre emprego e formação e tentar não assumir posições políticas marcantes, o que cumpri enquanto exerci esse cargo.
Deixo-vos com o primeiro artigo publicado. Espero que gostem:

"TUDO A NÚ"

Quando recebi o honroso convite para fazer parte do painel de colunistas deste novo projecto jornalístico a primeira coisa que me ocorreu foi a responsabilidade inerente que passaria a enfrentar.

Confesso, sou um “jornal-o-dependente” assumido. Poucos títulos me escapam, desde os semanários de referência até ao jornal desportivo diário. Claro que não abdico do jornal diário da praxe, da minha revistazinha semanal, que os jornais regionais são passados a pente fino e que, confesso, até espreito um pouco envergonhado as revistas ditas “cor-de-rosa” , ou seja, não há bocadito de papel de imprensa que me escape.

Cresci, instruí-me a aprender muito com os jornais. Luto com o escasso tempo disponível para lêr aquele “artigozinho” que me despertou a atenção e que guardei religiosamente para o fim e, quase sempre, para o fim do dia. Aliás, eu leio os jornais de trás para a frente, porque regra geral os artigos em destaque estão nas primeiras páginas.

Bom, penso que já convenci aqueles leitores que têm a bondade de me continuar a ler que sou, de facto, um “jornal-o-dependete”, o que me leva à questão de fundo: como prender um leitor num artigo de opinião?

Diria que se fosse um Marcelo Rebelo de Sousa, um Santana Lopes ou um Miguel Sousa Tavares, que para além de serem comentadores de fundo, são referências nacionais e podem dar-se ao luxo de escreverem na “Bola” ou no “Público” que são atentamente seguidos, bastaria ao caro leitor saber o autor da escrita para logo se interessar pelo seu conteúdo.

Agora, este pobre coitado, porque é um leitor assíduo de jornais, sabe que, ou fala sobre algo polémico, ou pouco ou nenhum interesse pode cativar nos seus estimados leitores.

Daí este título, em claro plágio com uma estação de televisão que vendo a concorrência a atingir índices de audiência para si preocupantes encheu o País com cartazes em clara publicidade enganosa com esta frase. Porque o fez, pergunta o estimado leitor? Porque está comprovado (não sei se cientificamente, ou não) que o Nú vende.

Certamente o leitor já depreendeu que voltou a cair no logro, pois de nu este artigo não fala nada, mas confesse, o título seduziu-o, não foi? ao que vos direi que apenas o fiz por brincadeira, mas o que verdadeiramente pretendi foi dizer-vos que um artigo de opinião não é um título pomposo, não é aquele em que alguém apenas debita “chavões”, ou feito por “um compilador de opiniões”, mas sim aquele que nos conta uma história, fala sobre a vida, passa-nos uma vivência, ou uma opinião.

Amigos, eu sou esse, quero ser esse que vos promete falar sobre temas da actualidade, do nosso concelho, do nosso país, ou até, quem sabe, da sua história.

Este título visa também titular um contrato que quero assinar com todos vocês, tratar todos os assuntos sem tabús, sem estarem enfeitados com preconceitos, com lindas roupagens, mas que escondam a sua verdadeira essência. Eu assumo agora, vocês cobrarão depois: todos os assuntos que levarem a minha assinatura certamente que estarão TODOS A NÚ!

Nota actual: para quem me tem acompanhado, penso que cumpri a promessa! Tenho deixado "todos os assuntos a nú", ou será que não?

quarta-feira, maio 09, 2007

Ambrósio anda macambúzio...

Era um dia de festa. Daqueles dias de Abril, daquele imemorial Abril de que uma certa esquerda se apropriou indevidamente, mas que é o nosso Abril, o Abril dos democratas, daqueles que defendem o primado do povo contra a opressão, a intolerância, o abuso de direito, sobretudo dos órgãos do estado. Não o Abril que permite que uma Câmara Comunista tenha outdors espalhados pelo concelho, indiscriminadamente, em jardins, rotundas e outros espaços e vá implicar com apenas um cartaz por ser da JSD e por ter uma mensagem que não lhes agrada. Ainda se a mensagem fosse xenófoba ou racista, intolerante ou antidemocrática, ainda se aceitava a decisão dos seus camaradas, mas não! A mensagem apenas pedia à câmara que ela acabasse a obra que indevidamente prometera, ou seja, a Estrada Nacional 10 e agora vinham dizer que é uma estrada a cargo do estado, mas quando prometeram não sabiam já eles isso?
Por isso Ambrósio andava macambúzio naquele dia de festa. Pouco lhe importava que fossem inaugurar o Metro de Superfície se ele não o podia usar. De que lhe servia apanhar o metro em Corroios para sair na Cova da Piedade? Que sentido isso lhe fazia? Nenhum. Perguntava-se a si mesmo porque não vinha o Metro pelo menos até à cruz de Pau? Porque não fazia o interface com o comboio da fertagus e com os barcos do Seixal e de Cacilhas? Pronto, era uma questão de orçamento diziam, mas como podia Ambrósio aceitar as contas que os seus governantes faziam se tinha lido, e ninguém havia desmentido que só pelo atraso no início da exploração, que era de dois anos, a concessionária pedia ao estado milhares de euros que certamente serviriam, por exemplo para o P.M. ter anunciado já um calendário do troço até à Costa de Caparica em vez de se ter ficado apenas pelas intenções (e todos nós sabemos como este P.M. é pródigo em não cumprir as suas promessas).
Ambrósio também não conseguia compreender como é que os seus camaradas, pelo menos publicamente apenas a um mês, ou nem isso, da inauguração da inauguração é que tinham “descoberto” trezentas e tal anomalias, quando era sua obrigação tê-las apontado mais cedo e exercido publicamente toda a pressão junto da opinião pública, de forma a conseguir defender a sua população. Afinal não era isso que tinham conseguido, e muito bem, relativamente à questão do hospital? De que serve a Ambrósio o Metro se, não só não lhe tem utilidade, no troço actual e enquanto não se estender a Cacilhas pelo menos, e se, para cúmulo, desde que foi inaugurado o trânsito automóvel piorou substancialmente nesse troço?
Pois é, Ambrósio anda macambúzio. Já não tem a alegria de outrora. Andava preocupado, triste, mas sobretudo, descrente. Podia ser lá de outra forma? Ele pertencia à velha guarda, um verdadeiro comunista. Acreditava que vivia no Paraíso, sim, o paraíso. Poucos lugares no mundo tinham resistido ao comunismo, mas nós não, orgulhosamente ainda somos um “reduto vermelho”. Só nós, a Coreia do Norte e pouco mais. Quinzenalmente lá ia ele ler um dos 65.000 exemplares do Boletim Municipal que, edição após edição, mês após mês, ano após ano, lhe recordava que o paraíso era na terra e a terra era o Seixal. Ele era a melhor rede escolar do País, era o local mais seguro para viver, era a melhor água, o melhor turismo, o melhor ambiente e, ele, coitado, resignado acreditava. E divulgava. E até tinha uma colecção engraçada para aí umas 20.000 fotografias do Sr. Presidente da Câmara (deste e do anterior) em sessões oficiais ou não, mas que provavam que somos os melhores). E se havia alguma coisa que lhe corresse pior na vida, claro que a culpa era do governo. Tinham sido os malandros dos sucessivos governos os responsáveis. Claro. E para quê discutir se era assim mesmo? Uma coisa o tinha deixado feliz. Era uma vingança: havia para aí um membro do PSD incomodado porque ninguém da oposição (do PS ao PSD, passando pelo Bloco de Esquerda) saía no Boletim Municipal e os seus camaradas no último número tinham mostrado quem mandava. E quem mandava não havia dúvida nenhuma: eram os comunistas. Por isso tinham tido o especial cuidado de tirar uma fotografia à mesa da assembleia municipal e aos seus vereadores, recortando cirurgicamente todos os vereadores da oposição. Era de homens Caramba! com o PCP ninguém se metia!!!
Mas o Ambrósio, coitado, é um crédulo, mas também não se deve abusar da credulidade das pessoas e, há anos que andava cá com uns pensamentos estranhos, que os tinha conseguido expurgar: seria a nossa Câmara assim tão bem gerida? Se assim era, porquê que tinha uma derrapagem financeira tão grande? Porquê que precisava de gastar milhares de euros em propaganda, se o trabalho estava à vista de todos? Porquê que tinha necessidade de “esconder” toda a oposição, desde sempre? Mas se eles eram tão bons, porquê?
E a água canalizada que lhe sabia mal se tínhamos uma rede de tratamentos super-moderna, como era possível? Seria sabotagem do governo? Deste ou doutro qualquer? E os espaços verdes? E as ruas esburacadas? E os bairros sociais? E o PER (Plano Especial de Realojamento) desaproveitado? E o barulho da siderurgia? E os maus cheiros (nauseabundos, por vezes) em alguns locais? E o bairro da Jamaica? E a Baía mais linda do mundo, mas sucessivamente adiada? E..e...e...não! Tinha de expurgar esses pensamentos impuros. Estava decidido, ia comprar uma habitação de luxo, daquelas que os camaradas agora propagandeiam na BTL, talvez já no projecto da Siderurgia. Mas de repente percebeu, não podia! Tinha sido traído. E por quem? Por quem menos esperava. Pelos seus próprios camaradas. Esses agora dedicavam-se a promover empreendimentos para os ricos. Empreendimentos a que nunca teria acesso. Pior. Ele próprio não acreditava que alguma vez na Siderurgia se pudesse construir e viver com qualidade de vida, pois a construção será no segundo maior depósito de nitratos de carbono do País. Será seguro, pensou Ambrósio. E a resposta recorrentemente era NÃO. Pior, ouviu dizer que os malandros do PSD e PS local iam fazer um inquérito para aferir do nível de satisfação dos seus munícipes e a sua grande dúvida era que teria de responder que não estava satisfeito, mas como fazê-lo sem trair os seus camaradas?
Por isso Ambrósio anda macambúzio... e (Nota do autor: tem razões para isso!!!)

Publicado no "Jornal do Seixal", em 05 de Maio de 2007

sexta-feira, maio 04, 2007

“Diz que é uma espécie de contrato de arrendamento..”

Quem vê o programa dos “Gatos Fedorentos” perguntar-se-á como é que eles ainda não se lembraram de satirizar esta situação. Provavelmente porque ainda não a conhecem. Falo-vos do contrato arrendamento que a nossa “mui nobre” Câmara Municipal vai celebrar com a Assimec, relativo ao novo edifício municipal.
E o que tem de tão extraordinário esse contrato para eu vos fazer perder tempo com ele?
Pouca coisa, para eles. Por eles, subentenda-se o executivo e a maioria que o suporta (a CDU). Para mim e para o PSD já não é bem assim, pois estamos a falar de um contrato que custará 153.000 € (30 mil contos) mensais, durante 20 anos. Pouca coisa, dirão alguns. Poupamos em rendas actualmente dispersas, dizem eles. Mas a esse valor, façam o favor de acrescer o IVA, meus senhores, mais as actualizações anuais. Mas não é tudo: porque digo que isto não é um contrato de arrendamento, mas sim apenas uma “máscara” (apenas formal), querendo fazer-se passar por arrendamento quando no fundo é um verdadeiro contrato de compra e venda? Porque efectivamente é esse o objectivo e porque a Câmara obriga-se por 20 anos a assumir este pagamento. Perceberam? Mesmo que por um qualquer motivo a Câmara entendesse não manter o contrato de arrendamento, teria de pagar 30 mil contos x 20 anos. Compreendem-me agora melhor? Mas não é tudo: se quiser comprar, custa pouquinho: apenas 5 MILHÕES DE CONTOS na moeda antiga, ou 24.637,500,00 €. Portanto, sendo minimalista e não apontando outras situações, se a Câmara comprar daqui a 20 anos paga aproximadamente € 70 a 75 mil euros pelo novo edifício. Como o leitor certamente é como eu, distraído com números, e sabendo que o Benfica quer vender o Simão por €20 milhões de Euros, logo nem sequer dá muita importância a estes valores, poer isso chamo-lhe a atenção: estamos a falar em qualquer coisa como 14 a 15 milhões de contos. Com IMI é capaz de chegar mesmo aos 16 milhões de contos.
O que podia a Câmara fazer com esse dinheiro? Cada qual tem as suas opções!!! Eu confesso-vos, a primeira reacção que tive foi de ter ficado incrédulo e pensei que estávamos a falar do novo edifício do Governo ou da União Europeia, agora que até temos um presidente da Comissão Europeia Português e que até é da margem sul. Se o Benfica, que como sabem, é o maior clube do mundo, se instalou no Seixal, porque não podia o Governo ou a Comissão Europeia fazer o mesmo? E aí até tínhamos uma vantagem semelhante à do Benfica, porque quem suportaria o investimento, nem sequer era o Seixal. Mas não, somos mesmo nós que vamos pagar!!! E é mesmo o novo edifício Municipal, não é nenhum palácio, ainda que por este preço, pudéssemos pensar isso!
Depois, ainda não refeito do “choque” provocado por tão assombroso negócio pensei: “a tão falada retoma económica já chegou e, eu, distraído não me tinha apercebido”. Até tive vontade de pedir desculpa por ter tido tão indecoroso pensamento, mas bastou-me uma leitura atenta ao Orçamento de Estado, no caso nacional e Orçamento da Câmara para 2007,para perceber que não, e dissipar quaisquer dúvidas que tivesse - A retoma ainda não chegou, embora continue prometida...mas todos nós de promessas estamos conversados! Portanto, também não podia ser a retoma económica a justificar este negócio.
Mas continuei a pensar para os meus botões:”tem de haver uma explicação, já sei, confundi escudos com euros e não estamos a falar em 5 milhões de contos, mas sim em 5 milhões de euros” pronto, estava desfeito o equívoco, mas mais uma vez não. Procurei na minuta do contrato que me forneceram e lá estava sem margem para dúvidas “ € 24.637,500,00 ou os tais .5 MILHÕES DE CONTOS na moeda antiga.
Finalmente pensei: ” o Sr. Presidente da Câmara, o senhor Vereador responsável pelo pelouro ou os técnicos da Câmara vão explicar-me este contrato (de arrendamento – mas já viram um contrato de arrendamento com estes valores? Só se for nas Repúblicas Árabes, onde até dão 1 milhão euros/mês ao Figo) e fica tudo esclarecido. E ficou: ESTE CONTRATO NÃO SERVE OS INTERESSES DO MUNÍCIPIO, DOS SEUS MUNÍCEPES, “AMARRARÁ” os próximos 5 executivos (20 anos) Tudo faremos por o denunciar.
Bom ano a todos os leitores do Notícias do Seixal.
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Paulo Edson Cunha in "Notícias do Seixal" - Dezembro de 2006