sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Façamos de conta

Não resisto a transcrever neste blogue este fantástico texto de Mário Crespo, a quem tiro o chapéu.

Ora aqui o têm:

«Está bem… façamos de conta Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.» Mário Crespo

4 comentários:

Maria Dias disse...

Não vou comentar as palavras do jornalista Mário Crespo porque em 42 linhas ele disse tudo, foi feito o resumo daquilo que tem sido a governação PS.Se alguêm tinha dúvidas estou certa que deixou de as ter. Mais palavras? Não é necessário. Faço apenas um pedido ao povo português, na hora do voto não façam de conta que nada disto aconteceu. Obrigado.

Anónimo disse...

Façamos de conta que o Mário Lino não disse que a margem sul era um deserto (Margem Sul - Jamais!!!)

David Veloso disse...

Façamos de conta que acreditamos que um outro governante de outro partido não cometeria semelhante acto. Façamos de conta que um antigo ministro com acesso à informação do SIS não está envolvido num também caso de polícia e mesmo assim continua a ser uma voz de referência junto do nosso presidente da república. Façamos de conta que um irmão de uma ministra não roubou ou indirectamente matou vários portugueses para seu beneficio pessoal.

Façamos de conta que existe opção à não opção que temos neste momento.

Podemos fazer de conta de muitas coisas, agora não é de que fazemos de conta que votamos. NÓS VOTAMOS! ..... mal ou bem assumimos (ou não) a nossa opção sobre quem consideramos que poderá gerir os nossos destinos da melhor forma.

É que somente depois de abrir o melão é que sabemos com que melão é que ficamos e, em contraponto, se não sei nadar não preciso de ir para o meio do oceano para saber que me irei afogar. É caso para dizer, “venha o diabo e escolha!”.

Neste momento não sei quem será melhor ..... talvez aquele político Brasileiro que teve a coragem ou lata de afirmar “roubo mas faço” ..... mas uma coisa tenho a certeza, e isso é que terei voz activa no meu destino, seja em eleger um governo para governar ou num oposição para opositar! .....

Cumprimentos,
David Veloso

Anónimo disse...

Não façam de conta porque é mesmo verdade:
-O edil Mesquita Machado (PS) há 32 anos no poder na Cãmara de Braga angariou uma fortuna que só foi declarada metade ao fisco e a sua estimada família gasta milhões e gere mais do mesmo.
Viva o velho!!!
Em outubro não façam de conta e votem !