terça-feira, agosto 17, 2010

Análise ao Modelo Associativo do Seixal

Quando publiquei a notícia sobre a Assembleia da ARPIF recebi um e-mail de um leitor do blogue que contestava e questionava a minha postura, contudo fê-lo com educação e justificou o seu ponto de vista.

Como é meu timbre, respondi a esse senhor, justifiquei a minha posição e disponibilizei-me a reunir com ele, pois, até como autarca, tenho o dever de justificar melhor a(s) minha(s) posição(ões).

Dessa troca de e-mails surgiu o envio do documento que estou autorizado a partilhar convosco, no entanto foi-me pedido que mantivesse o autor do e-mail e remetente do documento no anonimato.

Digo apenas que "este relatório foi feito para uma direcção de uma associação cá da praça a seu pedido, e integra-se na observação do movimento associativo muito especifico de organizações sob o modelo comunista que vigora no Seixal" - E estou a citá-lo.

Com o meu sincero agradecimento, deixo-vos o resultado desse estudo:

O sistema organizativo é um meio operativo de conseguir obter resultados, atingir objectivos em determinadas condições sócio-económicas, controlar o sistema, ter em vista o presente e o futuro, encontrar o equilíbrio entre o importante e o urgente.

Importa deixar claro, que a organização e o funcionamento não são fins, mas os meios que suportam e permitem operar melhor ou pior uma actividade, na prossecução dos fins e objectivos, ou mais resumidamente a missão consagrada nos estatutos de uma associação.

Os resultados, os objectivos, as metas parcelares a atingir mudam constantemente, pelo que gerir é a adaptação dinâmica a novas situações e, sempre que possível, em antecipação.

Os resultados determinam-se em bases integradas, considerando que há que gerir recursos humanos e materiais que estão cada vez mais interdependentes, mas tal não é possível sem que isso se produza tendo como base uma organização eficiente e um funcionamento estável e adequado.

Pelo estabelecimento de regras orgânicas e funcionais, é possível criar condições de compilação e de transmissão de um corpo de conhecimentos acumulados  susceptíveis de tratamento consensual e partilhado, especialização e técnica; estabelecer uma cultura e uma ética; controlar as acções globais e sectoriais.

O estabelecimento de metodologias, visa sobretudo tornar uniformes as regras e procedimentos, libertando a actividade produtiva, na prossecução dos fins.

A sua ausência gera desgastes infrutíferos, por arbitrariedade e conflitualidade, desviando das iniciativas e dos projectos, as sinergias a que os grupos de interesses se propuseram.

Para que a clareza e a transparência sejam geradoras de compreensão e base de união, devem ser capazes de ver respondidas as questões que envolvem cada assunto, dentro do conceito de delegação, responsabilização e reportabilidade:

-no plano orgânico:
  • O que se pretende ;
  •  Diagnóstico da situação actual;
  • Pprognóstico, quais as politicas a implementar para atingir esse fim;
  • Plano estratégico, linhas de orientação e acção, planeamento das acções;
  • Plano táctico, adequação de meios e recursos; rotinas e controlo dos trabalhos.

-no plano funcional:
  • As noções e definições necessárias ;
  • As disposições e os procedimentos administrativos;
  • A documentação suporte como mecanismo de comunicação e reportabilidade.
Seria ideal que as abordagens fossem tão simples quanto possível, o que verbalmente é fácil exigir, mas o que na prática não é literalmente exequível, podendo apenas tentar-se que seja tão simples quanto o necessário.

Por outro lado, as colectividades e associações tratam-se de organizações sem cultura de empresa, graus variados de especialização, diversas e variadas ideologias e pensamentos, sem que se possam tornar as regras imperativas por submissão ou interdepência, torna-se necessária a exposição das bases doutrinárias, definições e conceitos que presidiram á elaboração do conteúdo, de modo a que fundamentadamente e com bases noutros que o melhorem, se mantenha o capitulo “ em aberto” à participação ou e colaboração, estimulando a apropriação e a integração individual de todos os elementos no edifício organizacional.

Ao analisar o estado actual da estrutura organizacional,......., constata-se uma total ausência de metodologia e de critérios organizacionais, podendo-se verificar:

-Um sector funciona enquanto este ou aquele membro está à frente.(Omisciência e capitalização pessoal do conhecimento,)

-Caso ele cesse funções todo o sector fica em perigo((potencial manipulação do sistema).

-A não satisfação das suas exigências pessoais constitui ameaça a estabilidade de sector(susceptibilidade de conflitualidade de interesses).

Se as situações apresentadas o são numa óptica extremista, não tendo optado apreciá-la numa formulação mais mitigada, susceptível do contraditório nomeadamente pela alegação recorrente de que tal depende da moral individual , é porque na prática as morais e as éticas são mais ou menos elásticas, ou recorrendo á sabedoria popular, tem o povo como certo que a “oportunidade faz o ladrão” e não que - o ladrão faz a oportunidade-, embora a última seja tão verdadeira como a primeira, e seja situação recorrentemente validada na verificação das práticas
 
Da apologia e da prática de uma completa e total ausência de regras, nomeadamente com a alegação que ao estabelecerem-se condições, responsabilidades , direitos e deveres , se provoca o afastamento de potenciais colaboradores na causa de voluntariado que consubstância o associativismo,  pode-se inferir que se determina ser do interesse dos protagonistas, não que uma colectividade seja um esquema organizativo destinado a atingir os objectivos e fins estatutários, mas sim, permissivamente uma organização de “esquemas” que utiliza e se apropria dos bens colectivos e públicos( de considerar a subsídiação com recurso aos bens públicos, objectivamente dinheiros dos contribuintes), para a realização e satisfação de interesses pessoais ou de muito poucos.

6 comentários:

eugenio disse...

Já agora... qual a colectividade?

Paulo Edson Cunha disse...

Boa tarde Eugenio.

O remetente do documento poderá vir aqui dizer, se o quiser fazer.

Anónimo disse...

Apenas um exemplo desta gestão comunista para com as colectividades:

Na SFOA, anos atrás, caiu o tecto do salão de baile. Não havia dinheiro por parte da Câmara do Seixal para reparar o tecto, a SFOA perdeu muitos sócios e dinheiro porque não podia realizar ali os bailes e as pessoas foram-se afastando.
Alguns anos depois conseguiram colocar na Direcção os elementos que a Câmara queria.
E logo há dinheiro para a reparação do tecto, para a colocação de um sistema de som e iluminação quase único no pais no palco, etc, etc...
Isto depois da Banda filarmónica ter saído e ter ainda ficado prometida uma tareia a um conhecido kamarada da Assembleia Municipal.
Investigue-se os valores que são pagos a "associações" como os Toca a Rufar, o porquê de algumas colectividades receberem relvado sintético e de outras nem poder mandar os seus grupos corais a espectáculos, por verem os transportes sempre recusados.
Investiguem.

Anónimo disse...

infelizmente, tenho que dar a mão à palmatória à análise que é formulada no post...

Anónimo disse...

Pela forma como está escrito o documento identifica-se facilmente o seu autor....mas o texto é perfeitamente adaptável à Associação de Amigos do Pinhal do General (AAPG) e comissão da augi que funciona num clima, utilizando uma expressao escrita, "conflito de interesses"...ah pois é...em relação à ARPIF, surge no inicio do post, como sócio congratulo o arduo trabalho desenvolvido ao longos dos anos, mas a ida para fora do nosso Fernao Ferro foi um erro de gestão absolutamente grotesco. Socio.

Anónimo disse...

Este tema do associativismo dava pano para mangas, não vejo que exista neste momento grande influência dos colectivos partidários nas posições de alguns dirigentes de colectividades, e ai pode estar o problema, pois actuam ao sabor da sua própria vontade individualmente ou gerindo com base em interesses de pequenos grupos de amigos, quando o principal devem sêr os sócios e todo o seu universo e nunca este ou aquele grupinho de amigalhaços, que por vezes alargam o seu ambito a alguns autarcas que ai procuram apoio para as suas posições mais uma vêz individualistas,e neste pequeno universo se escolhem as direcções, e as politicas de gestão com mais ou menos apoios da parte de quem gere os bens comuns ou seja os dinheiros que são de todos. por outro lado existe uma grande maioria de gente mal informada e mal formada a cometer grandes asneiras no que diz respeito a obras e outros aspectos de gestão, que leva a um esbanjar de dinheiros e de recursos, e todos aqueles que venham com ideias diferentes terão de se auto afastar ou por entrarem em conflito de ideias ou por não pertencerem aos grupos dos amigos.
E muito mais averia para dizer com casos concretos, com nomes, enfim pondo o preto no branco ou seja pondo o dedo nas feridas,em qualquer altura pode ser que me venha a coragem para o fazer, por agora fico na cobardia do anonimato, mais por medo de represálias do que cobardia, pode ser que dentro de pouco tempo com a limitação de mandatos se consiga desmembrar alguns grupos de amigos e ai sim se inicie uma nova fase, isto se não se formarem novos grupos.