Quando publiquei a notícia sobre a Assembleia da ARPIF recebi um e-mail de um leitor do blogue que contestava e questionava a minha postura, contudo fê-lo com educação e justificou o seu ponto de vista.
Como é meu timbre, respondi a esse senhor, justifiquei a minha posição e disponibilizei-me a reunir com ele, pois, até como autarca, tenho o dever de justificar melhor a(s) minha(s) posição(ões).
Dessa troca de e-mails surgiu o envio do documento que estou autorizado a partilhar convosco, no entanto foi-me pedido que mantivesse o autor do e-mail e remetente do documento no anonimato.
Digo apenas que "este relatório foi feito para uma direcção de uma associação cá da praça a seu pedido, e integra-se na observação do movimento associativo muito especifico de organizações sob o modelo comunista que vigora no Seixal" - E estou a citá-lo.
Com o meu sincero agradecimento, deixo-vos o resultado desse estudo:
O sistema organizativo é um meio operativo de conseguir obter resultados, atingir objectivos em determinadas condições sócio-económicas, controlar o sistema, ter em vista o presente e o futuro, encontrar o equilíbrio entre o importante e o urgente.
Importa deixar claro, que a organização e o funcionamento não são fins, mas os meios que suportam e permitem operar melhor ou pior uma actividade, na prossecução dos fins e objectivos, ou mais resumidamente a missão consagrada nos estatutos de uma associação.
Os resultados, os objectivos, as metas parcelares a atingir mudam constantemente, pelo que gerir é a adaptação dinâmica a novas situações e, sempre que possível, em antecipação.
Os resultados determinam-se em bases integradas, considerando que há que gerir recursos humanos e materiais que estão cada vez mais interdependentes, mas tal não é possível sem que isso se produza tendo como base uma organização eficiente e um funcionamento estável e adequado.
Pelo estabelecimento de regras orgânicas e funcionais, é possível criar condições de compilação e de transmissão de um corpo de conhecimentos acumulados susceptíveis de tratamento consensual e partilhado, especialização e técnica; estabelecer uma cultura e uma ética; controlar as acções globais e sectoriais.
O estabelecimento de metodologias, visa sobretudo tornar uniformes as regras e procedimentos, libertando a actividade produtiva, na prossecução dos fins.
A sua ausência gera desgastes infrutíferos, por arbitrariedade e conflitualidade, desviando das iniciativas e dos projectos, as sinergias a que os grupos de interesses se propuseram.
Para que a clareza e a transparência sejam geradoras de compreensão e base de união, devem ser capazes de ver respondidas as questões que envolvem cada assunto, dentro do conceito de delegação, responsabilização e reportabilidade:
-no plano orgânico:
O que se pretende ;
Diagnóstico da situação actual;
Pprognóstico, quais as politicas a implementar para atingir esse fim;
Plano estratégico, linhas de orientação e acção, planeamento das acções;
Plano táctico, adequação de meios e recursos; rotinas e controlo dos trabalhos.
-no plano funcional:
As noções e definições necessárias ;
As disposições e os procedimentos administrativos;
A documentação suporte como mecanismo de comunicação e reportabilidade.
Seria ideal que as abordagens fossem tão simples quanto possível, o que verbalmente é fácil exigir, mas o que na prática não é literalmente exequível, podendo apenas tentar-se que seja tão simples quanto o necessário.
Por outro lado, as colectividades e associações tratam-se de organizações sem cultura de empresa, graus variados de especialização, diversas e variadas ideologias e pensamentos, sem que se possam tornar as regras imperativas por submissão ou interdepência, torna-se necessária a exposição das bases doutrinárias, definições e conceitos que presidiram á elaboração do conteúdo, de modo a que fundamentadamente e com bases noutros que o melhorem, se mantenha o capitulo “ em aberto” à participação ou e colaboração, estimulando a apropriação e a integração individual de todos os elementos no edifício organizacional.
Ao analisar o estado actual da estrutura organizacional,......., constata-se uma total ausência de metodologia e de critérios organizacionais, podendo-se verificar:
-Um sector funciona enquanto este ou aquele membro está à frente.(Omisciência e capitalização pessoal do conhecimento,)
-Caso ele cesse funções todo o sector fica em perigo((potencial manipulação do sistema).
-A não satisfação das suas exigências pessoais constitui ameaça a estabilidade de sector(susceptibilidade de conflitualidade de interesses).
Se as situações apresentadas o são numa óptica extremista, não tendo optado apreciá-la numa formulação mais mitigada, susceptível do contraditório nomeadamente pela alegação recorrente de que tal depende da moral individual , é porque na prática as morais e as éticas são mais ou menos elásticas, ou recorrendo á sabedoria popular, tem o povo como certo que a “oportunidade faz o ladrão” e não que - o ladrão faz a oportunidade-, embora a última seja tão verdadeira como a primeira, e seja situação recorrentemente validada na verificação das práticas
Da apologia e da prática de uma completa e total ausência de regras, nomeadamente com a alegação que ao estabelecerem-se condições, responsabilidades , direitos e deveres , se provoca o afastamento de potenciais colaboradores na causa de voluntariado que consubstância o associativismo, pode-se inferir que se determina ser do interesse dos protagonistas, não que uma colectividade seja um esquema organizativo destinado a atingir os objectivos e fins estatutários, mas sim, permissivamente uma organização de “esquemas” que utiliza e se apropria dos bens colectivos e públicos( de considerar a subsídiação com recurso aos bens públicos, objectivamente dinheiros dos contribuintes), para a realização e satisfação de interesses pessoais ou de muito poucos.