A semana está indelevelmente marcada pela tragédia ocorrida no passado Fim-de-Semana na Madeira.
Estão certamente na mente de todos nós as imagens aterradoras de destruição, sofrimento e dor causadas pelas fortes chuvas (equivalentes a um mês na região) desse dia.
Politólogos, sociólogos, comentadores, mais ou menos encartados, engenheiros, arquitectos, etc, etc, todos se sentem no direito e com legitimidade de discutirem as causas, o que não foi feito para prevenir, a actuação das autoridades, a resposta dos políticos, o que fazer a seguir.
Do exposto ressaltam alguns pormenores, como sejam o facto do Presidente do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira ter tentado minimizar os danos e ter pedido ao Governo da República para não decretar o estado de calamidade, de forma a não condicionar a imagem da ilha em termos turísticos.
Confesso que não sei se é legítimo ou não, mas compreendo que um responsável por uma região tente salvaguardar não só a recuperação em danos humanos e materiais das gentes da sua terra, como também tentar salvaguardar o futuro da sua gente. E o futuro da Madeira é o turismo. Há famílias inteiras que vivem dessa actividade e, portanto, nessa perspectiva compreende-se o seu discurso. Afinal de contas a que não juntar ao drama humano já vivido uma futura crise económica.

Aliás, não deixa de ser significativo o facto do maior embaixador de Portugal dos tempos presentes ( Cristiano Ronaldo) ter feito mais pelo apelo internacional à ajuda humanitária do que todos os apelos do Governo ou de outras instâncias. Cristinao Ronaldo com o seu golo de Domingo, comemorado da forma como a foto documenta, fazia capa em muitos jornais mundiais e em quase todos os jornais Madrilenos, uma simples imagem que através da TV e da Internet percorreu o mundo inteiro. Estou em crer que com este gesto, um jogador de futebol, tido por “bronco” por muitos “iluminados” tenha feito mais pela Madeira e por Portugal do que todas as instâncias Governamentais juntas.
Também compreendo que os responsáveis políticos tentem encontrar explicações para o “fenómeno natural” e, sobretudo, atribuir ao “fenómeno natural e anormal” ocorrido a explicação da tragédia.
Não sei, não sou especialista para o afirmar, se outro tipo de construção, outras medidas preventivas (algumas já está provado que, pelo menos, atenuariam), outra atenção à impermeabilizarão dos solos e a deflorestação (de facto, quanto menor for a capacidade dos solos em absorver a água das chuvas pior se torna uma situação deste tipo), outros cuidados, evitariam uma tragédia desta dimensão, mas não é preciso ser especialista para se perceber que face à configuração morfológica da ilha e à intensidade claramente anormal das chuvas, o resultado seria sempre catastrófico.
Não é menos verdade é que 1 (uma) única vida humana que se conseguisse salvar, justificaria o investimento que se vier a apurar que não foi feito, ou que foi mal executado, pelo que espero que ninguém caia na tentação de fazer análises superficiais e oportunistas relativamente a esta matéria.
É tempo de se cuidarem dos familiares das vítimas, de reconstruir, de ajudar a quem teve danos materiais (pelo que leio, não abrangidos pelas seguradoras), de preparar meios efectivos e mais seguros que levem á prevenção, dissuasão ou simples minimização de eventuais futuras tragédias.
É tempo de se estudarem estes fenómenos, de aprender com os erros cometidos, de outras zonas do País olharem muito atentamente para o que aconteceu na Madeira e adaptarem a análise às suas realidades.
Sim, porque de acordo com a Lei de Bases da Protecção Civil nas nossas competências, não nos cabe apenas agir reactivamente aos acidentes graves e catástrofes, cabe-nos um forte papel de prevenção, como demonstra o artigo quarto, número dois:
A actividade de protecção civil exerce-se nos
seguintes domínios:
a) Levantamento, previsão, avaliação e prevenção dos
riscos colectivos;
b) Análise permanente das vulnerabilidades perante
situações de risco
(...)
Nós no Seixal (Pelouro da Protecção Civil), assumimos o compromisso de estar atentos e interventivos, de humildemente aprendermos com erros alheios, mas que eventualmente também possam ter sido cometidos por nós, ou estejam a ser cometidos, de intervirmos onde ainda o conseguirmos fazer, de estudar alternativas que se mostrem adequadas. Em suma, tudo faremos para proteger os habitantes do Concelho do Seixal.







