- Rúbricas -

quarta-feira, março 17, 2010

Ainda sobre o Bullying

No "Correio da Manhã" de hoje, quarta-feira - dia 17 de Março:


Também no "Diáro de Notícias":


4 comentários:

  1. Se o Estado português entender que a mereço»,
    justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a.
    Mas pedi-la, não. Nunca!»
    O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria,
    pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e
    primeiras páginas de periódicos) explica-se pela
    nossa recalcada má consciência que não suporta,
    de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
    “A política tem de ser feita respeitando uma
    moral, a moral da responsabilidade e, se possível,
    a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável
    “preservar alguns dos valores de outrora, das
    utopias de outrora”.
    Quem o conhece não se surpreende com a sua
    decisão, pois as questões da honra, da integridade,
    foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário
    e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta
    - acrescentando os outros.
    “Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará,
    “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.
    O acto do antigo Presidente («cujo carácter e
    probidade sobrelevam a calamidade moral que
    por aí se tornou comum», como escreveu numa
    das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos)
    ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida,
    pervertida ética.
    Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o
    bastão de Marechal) preservou um nível de di -
    gnidade decisivo para continuarmos a respeitar-
    -nos, a acreditar-nos - condição imprescindível
    ao futuro dos que persistem em ser decentes.

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  2. O texto impedia que o vencimento do
    Chefe do Estado fosse «acumulado
    com quaisquer pensões de reforma
    ou de sobrevivência» públicas que
    viesse a receber.
    Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-
    se de auferir a aposentação de militar para a
    qual descontara durante toda a carreira.
    O desconforto de tamanha injustiça levou-o,
    mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há
    pouco, se pronunciaram a seu favor.
    Como consequência, foram-lhe disponibilizadas
    as importâncias não pagas durante catorze
    anos, com retroactivos, num total de um milhão
    e trezentos mil euros.
    Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu,
    porém, prescindir do benefício, que o não era
    pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados
    - e não aceitou o dinheiro.
    Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à
    corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância,
    Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma
    esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo,
    no arranjismo que o imergem, nos imergem
    por todos os lados.
    As pessoas de bem logo o olharam empolgadas:
    o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de
    ânimo em altura de extrema pungência cívica, de
    dolorosíssimo abandono social.
    Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento
    afim, quando se negou a subscrever
    um pedido de pensão por mérito intelectual que
    a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de
    Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situ -
    ação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não,
    não peço.

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  3. Gostaria de partilhar com todos os leitores um momento de meditação.

    Para o efeiti cito uma crónica de
    Fernando Dacosta

    "Seres decentes
    Quando cumpria o seu segundo
    mandato, Ramalho Eanes viu serlhe
    apresentada pelo Governo uma
    lei especialmente congeminada
    contra si."

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  4. Ramalho Eanes, sem dúvida um grande Homem.

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