Na vida, os obstáculos aparecem-nos quando menos esperamos; Só temos mesmo que os ultrapassar. Contornando-os, umas vezes, removendo-as outras, deixando que alguns nos atrasem, mas nunca desistirmos por eles aparecerem e pensarmos que são inultrapassáveis.
Inultrapassável apenas a morte!
Bom fim-de-semana
Publicada na Revista "O praticante" no mês de Maio:
"A primeira curva era acentuada, inclinada para a direita, mas acentuada. Há pessoas ligeiramente inconscientes, estado ou qualidade em que eu às vezes me incluo, que apesar de ver e estar perante mim a serra e, de saber que se está na parte debaixo da mesma, sei que só há uma possibilidade: subir.
Porém, na vida às vezes é melhor pensarmos numa curva de cada vez e, foi o que aconteceu. À primeira curva sucedeu a segunda, à segunda a terceira e o terreno continuava cada vez mais inclinado.
Cansado, já? Pois, é melhor nem pensar nisso, porque certamente ainda só estão realizados 500 metros. Pergunta “inocente”, ao colega, amigo e naquele momento “irmão” de jornada (apesar de saber sobejamente a resposta), “quantos quilómetros são esta prova?”. “Queres em metros ou em quilómetros? É que se queres em metros são 17.000, se queres em quilómetros, são apenas 17”. Apesar da resposta ser a brincar o meu humor ficou radicalmente alterado. Pior do que ter percebido que ainda faltavam 16.500 metros, e de eu já estar com os “bofes de fora”, muito pior foi ver que ainda havia toda uma serra para subir.
O que fazer? Desistir? Nunca! É palavra que não cabe no meu vocabulário. Mas 16.500 KM quase sempre a subir? Só de olhar fiquei mais cansado. Preferi distrair-me. Que tal pensar em futebol, política, na natureza ou até na linda atleta que me acabava de ultrapassar. Mau..! Ultrapassou ela, mais uma senhora que corre todas as provas e tem bem mais de 50 anos, assim como outro e outro e ainda outro.
“Mau, Maria”, estava na hora de puxar do brio, deixar-me de lamechices e ir à “guerra”. Assim foi, cerrando os dentes, conversando com o amigo, ouvindo música baixinho no MP3 e apreciando a paisagem de repente estava no cimo da serra. Havia era um problema. Só tinha passado meia prova. Nem isso, 7 Km. Bem, “ainda haverá alguma subida, ou agora é sempre a descer?”, perguntei a um, outro e outro, até que um atleta, daqueles “batidos” nestas provas, me respondeu: “há só mais uma subida, mas muito difícil”. Animado por só haver mais uma subida, mas preocupado com o seu grau de dificuldade lá a vislumbrei. Afinal não era tão difícil assim. Acelerei até, com a moral no topo. Passou a subida e descontraí. Agora é sempre a descer e, a descer todos os santos ajudam, não é? Pois bem, eis senão quando se nos depara a tal subida. Nem sei o que pensei. Afinal a outra não era considerada sequer uma subida, pelo tal atleta “batido”. E agora? O que fazer? Cerrar os dentes, ir buscar forças à alma e continuar devagarinho.
Oops, custou mas foi. Com uma pequena paragem, lá fizemos a subida e, depois meus amigos, a moral já corre por nós. É só deixar o corpo ir e correr atrás dele.
E, de repente..a meta à vista!!!
Há alguma sensação melhor para um desportista? Certamente que não. Para trás ficaram, metro após metro, litros de suor, “quilos” de dor, de abnegação, de sacrifício, de vontade e, eis que a vemos, ali, ao virar da esquina.
Já com o saquinho que a organização ofereceu, a t-shirt nova mudada (a outra estava encharcada) e reencontradas as nossas amigas que tinham feito a prova de 5 Kms aproveitámos para visualizar o magnífico cenário que se nos deparava, com a satisfação própria que o cronómetro nos mostrava: 1h28 minutos por 17 Km numa prova a subir, feito por um brincalhão como eu que só tinha antes feito uma prova de 10 Km em terreno plano? Tempo fantástico, ambiente óptimo, experiência a repetir, numa prova que aqui compartilho com vocês. Chama-se “Grande Prémio do Fim da Europa” e a Serra que referi é a de Sintra. Com esta informação acredito que os amigos leitores até fiquem cansados, não é? Só de imaginar..."
"A primeira curva era acentuada, inclinada para a direita, mas acentuada. Há pessoas ligeiramente inconscientes, estado ou qualidade em que eu às vezes me incluo, que apesar de ver e estar perante mim a serra e, de saber que se está na parte debaixo da mesma, sei que só há uma possibilidade: subir.
Porém, na vida às vezes é melhor pensarmos numa curva de cada vez e, foi o que aconteceu. À primeira curva sucedeu a segunda, à segunda a terceira e o terreno continuava cada vez mais inclinado.
Cansado, já? Pois, é melhor nem pensar nisso, porque certamente ainda só estão realizados 500 metros. Pergunta “inocente”, ao colega, amigo e naquele momento “irmão” de jornada (apesar de saber sobejamente a resposta), “quantos quilómetros são esta prova?”. “Queres em metros ou em quilómetros? É que se queres em metros são 17.000, se queres em quilómetros, são apenas 17”. Apesar da resposta ser a brincar o meu humor ficou radicalmente alterado. Pior do que ter percebido que ainda faltavam 16.500 metros, e de eu já estar com os “bofes de fora”, muito pior foi ver que ainda havia toda uma serra para subir.
O que fazer? Desistir? Nunca! É palavra que não cabe no meu vocabulário. Mas 16.500 KM quase sempre a subir? Só de olhar fiquei mais cansado. Preferi distrair-me. Que tal pensar em futebol, política, na natureza ou até na linda atleta que me acabava de ultrapassar. Mau..! Ultrapassou ela, mais uma senhora que corre todas as provas e tem bem mais de 50 anos, assim como outro e outro e ainda outro.
“Mau, Maria”, estava na hora de puxar do brio, deixar-me de lamechices e ir à “guerra”. Assim foi, cerrando os dentes, conversando com o amigo, ouvindo música baixinho no MP3 e apreciando a paisagem de repente estava no cimo da serra. Havia era um problema. Só tinha passado meia prova. Nem isso, 7 Km. Bem, “ainda haverá alguma subida, ou agora é sempre a descer?”, perguntei a um, outro e outro, até que um atleta, daqueles “batidos” nestas provas, me respondeu: “há só mais uma subida, mas muito difícil”. Animado por só haver mais uma subida, mas preocupado com o seu grau de dificuldade lá a vislumbrei. Afinal não era tão difícil assim. Acelerei até, com a moral no topo. Passou a subida e descontraí. Agora é sempre a descer e, a descer todos os santos ajudam, não é? Pois bem, eis senão quando se nos depara a tal subida. Nem sei o que pensei. Afinal a outra não era considerada sequer uma subida, pelo tal atleta “batido”. E agora? O que fazer? Cerrar os dentes, ir buscar forças à alma e continuar devagarinho.
Oops, custou mas foi. Com uma pequena paragem, lá fizemos a subida e, depois meus amigos, a moral já corre por nós. É só deixar o corpo ir e correr atrás dele.
E, de repente..a meta à vista!!!
Há alguma sensação melhor para um desportista? Certamente que não. Para trás ficaram, metro após metro, litros de suor, “quilos” de dor, de abnegação, de sacrifício, de vontade e, eis que a vemos, ali, ao virar da esquina.
Já com o saquinho que a organização ofereceu, a t-shirt nova mudada (a outra estava encharcada) e reencontradas as nossas amigas que tinham feito a prova de 5 Kms aproveitámos para visualizar o magnífico cenário que se nos deparava, com a satisfação própria que o cronómetro nos mostrava: 1h28 minutos por 17 Km numa prova a subir, feito por um brincalhão como eu que só tinha antes feito uma prova de 10 Km em terreno plano? Tempo fantástico, ambiente óptimo, experiência a repetir, numa prova que aqui compartilho com vocês. Chama-se “Grande Prémio do Fim da Europa” e a Serra que referi é a de Sintra. Com esta informação acredito que os amigos leitores até fiquem cansados, não é? Só de imaginar..."
Artigo engraçado.
ResponderEliminarA mensagem inicial uma grande verdade.
Precisamos de perseverança, de ser menos acomodados.